Foto: Reprodução

O professor e cientista político Flávio Lúcio analisou, nesta sexta-feira (27), o cenário político da Paraíba e do Brasil, com foco especial na disputa pelo apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições estaduais de 2026. A declaração foi dada em entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, da rádio 100.5 FM.

Ao comentar a indefinição interna do Partido dos Trabalhadores no Estado, Flávio Lúcio afirmou que, majoritariamente, o PT paraibano caminha para apoiar o vice-governador Lucas Ribeiro (PP).

Segundo ele, declarações recentes da presidente estadual do partido indicam que a sigla deve “ratificar” o apoio a Lucas, caso a direção nacional confirme o alinhamento.

Professor Flávio Lúcio – Foto: Dayana Lucas / Fonte83

“Me parece muito claro que o PT, hoje, majoritariamente, já caminha com Lucas Ribeiro. A tendência é essa, até porque o partido está no governo”, avaliou.

Ele ponderou, no entanto, que há movimentações envolvendo o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que poderia disputar vaga ao Senado em uma composição alternativa, mas entende que esse cenário serviria mais como instrumento de negociação política do que como definição concreta.

O cientista político também comentou a postura do ex-governador Ricardo Coutinho (PT), que defende candidatura própria do PT ou a neutralidade de Lula no Estado. Para Flávio Lúcio, a estratégia de Ricardo está mais voltada para 2028 do que para 2026. “Ricardo já está olhando para 2028. Ele tenta manter uma posição que não contamine uma futura candidatura dele. Ao não se vincular agora, ele evita desgastes e preserva capital político”, analisou.

Segundo o professor, Ricardo estaria isolado dentro do partido, especialmente após a reaproximação de lideranças petistas com o grupo governista.

Ao comparar o cenário atual com 2022, quando Lula declarou apoio explícito a Veneziano na disputa contra João Azevêdo (PSB), Flávio destacou que o contexto mudou. “Em 2022, Lula estava fora do governo e precisava montar uma frente ampla para derrotar Bolsonaro. Hoje, ele é candidato à reeleição e precisa de uma base ainda mais sólida no Congresso”, explicou.

Nesse novo cenário, ele ressaltou o peso político de lideranças como Hugo Motta (Republicanos), Aguinaldo Ribeiro (PP) e Daniella Ribeiro (PP), que ampliariam a força do arranjo político favorável a Lucas. “Em 2026, o quadro é mais favorável a esse grupo, não apenas por João Azevêdo, mas pelo peso de Aguinaldo e Hugo Motta em Brasília”, avaliou.

Flávio Lúcio fez ainda uma análise sobre a influência eleitoral do presidente. “Lula tem voto, continua sendo uma grande liderança no Nordeste, mas não transfere voto automaticamente. Se transferisse, Veneziano teria ido ao segundo turno em 2022”, argumentou.

Para ele, a eleição estadual tende a ser decidida em segundo turno, com papel decisivo do eleitorado conservador.

Na avaliação do cientista político, o eleitorado ligado ao bolsonarismo, representado por Efraim Filho (União Brasil), pode ser determinante. “É muito provável que haja segundo turno. E quem pode ser o fiel da balança não é apenas o candidato, mas o eleitorado bolsonarista”, concluiu.

A análise reforça que, embora o PT local pareça caminhar para uma definição, a palavra final do presidente Lula deverá considerar não apenas alianças estaduais, mas sobretudo a engenharia nacional para a sua própria reeleição em 2026.

Assista a entrevista com professor Flávio Lúcio no Ô Paraíba Boa:

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