Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - Foto: Ricardo Stuckert.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou nesta terça-feira (20) uma petição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizando a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e eletrônico dos últimos oito anos. A proposta também inclui os dados de seus familiares, mas depende de uma medida semelhante do adversário na disputa presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A iniciativa ocorre após Lula desafiar o senador a abrir seus sigilos durante o debate da Band, no último domingo (18). O presidente voltou ao assunto na segunda-feira (19), em Porto Alegre (RS), e nesta terça-feira comentou o envio do documento ao TSE, durante entrevista em São Luís (MA).

“Eu estou disposto a que a sociedade brasileira saiba quem é ladrão nesse país, quem é corrupto. Vamos ver se ele [Flávio] tem coragem de abrir a vida secreta dele”, declarou Lula. Além da petição à Justiça Eleitoral, o presidente apresentou manifestação com o mesmo teor ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A proposta prevê a divulgação de informações de familiares dos dois candidatos e de empresas ligadas a eles. No caso de Lula, a lista inclui a primeira-dama Janja e os cinco filhos do presidente. Já a relação apresentada pela defesa de Flávio envolve Jair Bolsonaro, Rogéria Bolsonaro, os irmãos do senador e sua esposa, Fernanda Bolsonaro.

A defesa de Lula também quer que os dados sejam divulgados publicamente antes da próxima quarta-feira (21), para que os eleitores tenham acesso às informações antes de votar. Flávio afirmou, no debate da Band, não ter “absolutamente nada a esconder”, mas não confirmou se aceitará o desafio. A petição foi distribuída ao ministro André Mendonça, do TSE.

Investigações envolvendo Flávio

A proposta também abrange empresas relacionadas aos candidatos. Entre as citadas pela defesa de Lula estão a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., da qual o presidente é sócio não administrador, e empresas ligadas a Flávio, incluindo a Alcazar Holdings, pertencente ao advogado Willer Tomaz.

A referência ao cadastro de Flávio como “usuário master” em uma conta bancária vinculada à Alcazar Holdings remete a reportagens sobre o caso. O senador é alvo de dois inquéritos no STF: um investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e sua relação com Tomaz; o outro apura negociações envolvendo recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.

A defesa de Flávio nega irregularidades e afirma que ele não está envolvido em ilícitos. Os advogados também criticam a divulgação de peças sigilosas durante o período eleitoral.

Compartilhe esse conteúdo: