A secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Estela Bezerra (PT), fez duras críticas nesta terça-feira (11) ao senador Efraim Filho (PL), pré-candidato ao Governo da Paraíba. Em entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, da rádio 100.5 FM Líder, Estela resgatou a antiga relação política com o senador e afirmou ter se decepcionado com a postura adotada por ele ao longo dos últimos anos. Segundo ela, Efraim integrava sua chapa na disputa pela Prefeitura de João Pessoa em 2012, período anterior à ascensão do bolsonarismo.
Ao comentar a atuação de Efraim durante o processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff, Estela afirmou que o senador teve uma postura que, na avaliação dela, marcou uma ruptura política. “Eu realmente me decepcionei muito com Efraim. À época, ele era meu vice e não existia o bolsonarismo”, declarou. Em seguida, criticou a forma como parlamentares se posicionaram durante a votação do impeachment. “Se você ver as votações daquele dia do impeachment, as pessoas votavam pelo seu cachorro, pela sua família, pelo seu papagaio, e não pela democracia do país”, afirmou.
Estela também associou a mudança de posicionamento de Efraim ao cenário político que se consolidou posteriormente com o bolsonarismo. Para ela, o período representou retrocessos em diferentes áreas, especialmente nas políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres. “Dali em diante, muitas pessoas se revelaram. Algumas se revelaram justamente aí, contra o povo brasileiro”, disse. A petista ainda citou a condução do governo Jair Bolsonaro durante a pandemia da Covid-19 e mencionou as investigações envolvendo a negociação de vacinas como parte das críticas ao período.
A mudança de campo político de Efraim ganhou novo capítulo em março deste ano, quando o senador se filiou ao Partido Liberal (PL), em ato que contou com a presença do senador Flávio Bolsonaro. Desde então, Efraim passou a se apresentar como um dos principais nomes da direita na disputa pelo Governo da Paraíba e como candidato alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A estratégia o coloca em confronto direto com forças políticas de centro e esquerda e transforma sua trajetória política, inclusive antigas alianças, em munição para os adversários na corrida eleitoral deste ano.




