Especialista em marketing político Anderson Pires - Foto: Larrise Monteiro.

O publicitário especialista em marketing político Anderson Pires avaliou, nesta sexta-feira (3), que as pré-campanhas do ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), e do governador Lucas Ribeiro (PP) apresentam falhas de comunicação e ainda não conseguiram consolidar uma identidade política clara perante o eleitorado. As declarações foram feitas durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, da rádio 100.5 FM, ao analisar o cenário da disputa eleitoral deste ano.

Segundo Anderson Pires, o principal problema está na ausência de conceitos e conteúdos capazes de diferenciar os pré-candidatos. Para ele, a movimentação política tem se concentrado na disputa por alianças e apoios, deixando em segundo plano a construção de uma mensagem consistente. “Eu já disse aqui qual considero ser o principal erro. Essa avaliação vale para todos os pré-candidatos, mas diria que Lucas e Cícero cometem esse equívoco de forma mais evidente. Falta conceito e conteúdo claros que permitam posicioná-los diante do eleitor, mostrando o que cada um representa. Hoje existe uma confusão, porque a disputa deles tem se resumido, basicamente, à busca por estruturas políticas e apoios”, destacou.

Apesar da crítica, o publicitário fez questão de esclarecer que não considera essa condução, necessariamente, um equívoco estratégico, mas sim uma escolha diferente daquela que adotaria em uma campanha. “Não estou dizendo que isso seja um erro estratégico. Estou dizendo apenas que é um erro que eu não cometeria. Cada um define a estratégia que considera mais adequada para a sua campanha”, ressaltou.

Ao comentar quais orientações daria aos dois pré-candidatos, Anderson defendeu que ambos precisam apresentar propostas e posições mais consistentes sobre os principais temas debatidos pela sociedade. Na avaliação dele, apenas prometer continuidade administrativa não é suficiente para convencer o eleitor. “Acho que eles precisam dar mais conteúdo às suas campanhas. Primeiro, não basta dizer que vão continuar fazendo o que sempre fizeram, porque talvez isso já não seja suficiente. Segundo, não é possível passar ao largo dos principais temas da sociedade, porque, em algum momento, será preciso prestar contas sobre eles. Também é muito complicado aparecer de repente com novas ideias sem qualquer coerência. Vocês mesmos acabaram de mostrar que incoerências muito grandes podem soar mal. Não dá para, em um dia, ser vermelho e, no outro, ser azul, como se isso não tivesse qualquer consequência. Existem temas centrais, que não estão distantes da realidade da sociedade paraibana, e eles precisam ser debatidos”, pontuou.

O especialista também alertou para os riscos de mudanças bruscas de discurso durante a campanha e afirmou que incoerências podem comprometer a credibilidade de um candidato. “Também é muito complicado aparecer de paraquedas com novas ideias. Vocês mesmos acabaram de mostrar que incoerências muito grandes podem soar mal. Não dá para, em um dia, ser vermelho e, no outro, ser azul, como se isso acontecesse naturalmente. Há temas centrais, diretamente ligados à realidade da sociedade paraibana, que precisam ser debatidos”, detalhou.

Como exemplo de posicionamento político, Anderson citou o senador Efraim Filho, destacando que, independentemente da concordância com a pauta defendida, assumir uma posição permite que o eleitor saiba o que esperar do candidato. “Por exemplo, o senador Efraim já declarou que é contra a escala 6×1. Concordando ou não com essa posição, ele tem um posicionamento claro, e isso é importante. Ele trouxe uma pauta para o debate e, por isso, pode ser cobrado sobre ela. No fim das contas, quando um candidato não assume posições, o eleitor não sabe exatamente o que ele defende. Fica aquela sensação de que não é nem uma coisa, nem outra. Simplesmente não se sabe do que se trata”, concluiu.

Assista abaixo a entrevista de Anderson Pires ao programa Ô Paraíba Boa:

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