Prefeitos que renunciaram para disputar as eleições de 2026 tiveram resultados distintos nas urnas - Foto: Arte/Fonte83.

Com o encerramento do segundo turno das eleições gerais de 2026, realizado em 25 de outubro, o Portal Fonte83 traz uma análise sobre os riscos políticos enfrentados por prefeitos que decidiram renunciar aos mandatos para disputar os governos estaduais. Dos gestores de capitais que deixaram as prefeituras para entrar na corrida eleitoral, cinco conseguiram vencer e outros terminaram a disputa sem conquistar um novo cargo. O levantamento aborda os resultados e as consequências dessa decisão para o futuro político dos envolvidos.

Vitórias e derrotas: o preço político de deixar a prefeitura para disputar outro cargo

Entre os prefeitos que conseguiram transformar a experiência administrativa nas capitais em vitória estadual estão Arthur Henrique, de Boa Vista, eleito em Roraima; João Henrique Holanda (JHC), de Maceió, em Alagoas; Eduardo Braide, de São Luís, no Maranhão; Dr. Furlan, de Macapá, no Amapá; e Lorenzo Pazolini, de Vitória, no Espírito Santo.

No grupo dos derrotados aparecem João Campos, do Recife; Eduardo Paes, do Rio de Janeiro; Cícero Lucena, de João Pessoa; David Almeida, de Manaus; e Tião Bocalom, de Rio Branco. Todos deixaram as prefeituras para disputar os respectivos governos estaduais, mas não conseguiram vencer a eleição.

Cícero Lucena: aprovação na capital não se converteu em votos no estado

Na Paraíba, o caso do ex-prefeito Cícero Lucena (MDB) aparece como um dos exemplos da diferença entre popularidade municipal e desempenho em uma eleição estadual. Mesmo com 69% de aprovação em João Pessoa, segundo os dados apresentados na análise, o então prefeito terminou a disputa em terceiro lugar, com 11,06% dos votos válidos.

O governador Lucas Ribeiro (PP) foi reeleito no primeiro turno, com 64,30%, enquanto o senador Efraim Filho (PL-PB) ficou na segunda colocação, com 24,18%. O resultado evidencia que a avaliação positiva de uma gestão na capital não representa, necessariamente, apoio eleitoral nas demais regiões do estado.

Nabor Wanderley também deixou a prefeitura e terminou em terceiro

Outro caso na Paraíba foi o de Nabor Wanderley (Republicanos), ex-prefeito de Patos por quatro mandatos e pai do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Ele renunciou à prefeitura para disputar o Senado Federal, mas terminou a eleição na terceira colocação, sem conquistar uma das duas vagas no Congresso Nacional, com 895.398 votos, ficando atrás do senador reeleito Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) e do ex-governador João Azevêdo (PSB).

Allyson Bezerra também enfrentou uma virada no segundo turno

Fora das capitais, outro caso destacado é o de Allyson Bezerra (União Brasil), ex-prefeito de Mossoró. Em 2024, ele conquistou a reeleição com 78% dos votos e, na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte, terminou o primeiro turno na liderança.

Apesar de ter chegado a registrar vantagem de 20 pontos nas pesquisas mencionadas no levantamento, Allyson sofreu uma virada no segundo turno e acabou derrotado pelo ex-secretário de Estado da Fazenda, Cadu Xavier (PT), com diferença de aproximadamente 32 mil votos. O episódio também integra a análise sobre os limites da transferência de popularidade municipal para uma disputa estadual.

Estrategista aponta o custo político de deixar a prefeitura

A avaliação sobre os resultados foi apresentada pelo estrategista político Leonardo Araújo em publicação nas redes sociais. Conforme a análise, a eleição de 2026 mostrou que a decisão de renunciar a uma prefeitura para disputar o governo envolve riscos que vão além do resultado nas urnas. “Em 2026, dez prefeitos de capitais renunciaram ao mandato para disputar o governo. Metade venceu. A outra metade terminou sem mandato”, destacou o estrategista.

Ainda conforme Leonardo Araújo, um dos principais pontos do balanço é a dificuldade de transformar aprovação administrativa em votos fora da cidade onde o gestor construiu sua trajetória política. “A lição: aprovação na cidade não garante voto no estado. E renunciar tem um custo político que nem sempre volta”, observou.

Derrota nas urnas não encerra trajetória política

A análise também considera que perder uma eleição não significa necessariamente o fim de uma carreira política. O ex-prefeito João Campos, por exemplo, permanece na presidência nacional do PSB e é citado nas articulações sobre possíveis espaços no governo do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Por outro lado, ficar sem mandato pode representar a perda de visibilidade institucional, da agenda administrativa e do contato cotidiano com a população. Há ainda uma restrição eleitoral para gestores que já estavam no segundo mandato consecutivo: a renúncia não abre caminho para disputar um terceiro mandato de prefeito em 2028.

2028 já entra no horizonte das articulações

Na avaliação apresentada por Leonardo Araújo, a disputa estadual exige uma leitura que ultrapasse os limites políticos e eleitorais de cada município. Aprovação administrativa, liderança local e reconhecimento popular podem contribuir para uma candidatura, mas não garantem, isoladamente, a transferência de votos em todo o estado. “Na política, ninguém é absoluto, e ninguém está morto. Mas a leitura de cenário decide se a aposta vira oportunidade ou risco”, concluiu o estrategista.

Com os resultados de 2026, a discussão sobre o custo de abandonar uma prefeitura para buscar um cargo de maior alcance também passa a integrar as articulações para 2028. Para os grupos políticos, o desafio será avaliar até que ponto a força construída nos municípios pode se transformar em competitividade nas próximas disputas eleitorais.

Veja abaixo a análise no perfil do Instagram de Leonardo:

 

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