A crescente disputa por apoios políticos na corrida ao Senado Federal já provoca reflexos dentro da base governista da Paraíba. Nesta terça-feira (23), o deputado federal Dr. Damião Feliciano (União Brasil) reconheceu publicamente a existência de ruídos entre o ex-governador João Azevêdo (PSB) e o ex-prefeito de Patos Nabor Wanderley (Republicanos), ambos pré-candidatos ao Senado na chapa majoritária para as eleições de outubro.
Em entrevista à imprensa de Campina Grande, o parlamentar afirmou que os episódios recentes fazem parte do ambiente político, mas defendeu que a saída para o impasse passa pelo diálogo.
“Tem coisa que faz parte da política. Mas também há situações que dependem de sensibilidade e disposição para o diálogo. Porque, no fim das contas, a política deveria ser mais simples, e somos nós que acabamos complicando. Não vejo motivo para essa cisão ou esse ruído”, pontuou.
Ao comentar a atuação de João Azevêdo, Damião destacou a experiência do ex-governador e afirmou que ele mantém postura equilibrada no cenário político.
“O João Azevêdo é uma pessoa experiente, com mais de 15 anos de atuação no Executivo. É alguém equilibrado, sensato, que não é de confusão nem de embates desnecessários. Ele vem conduzindo sua movimentação política com tranquilidade e sensibilidade”, destacou.
Sobre Nabor Wanderley, o deputado também ressaltou a trajetória política do ex-prefeito de Patos e reforçou a necessidade de entendimento entre as partes. “O Nabor Wanderley também tem uma história política importante. Foi deputado estadual por dois mandatos, quatro vezes prefeito de Patos, presidiu a Mesa da Assembleia Legislativa. Então, são lideranças que têm experiência e peso político”, ressaltou.
Damião também rejeitou a ideia de que a imprensa seja responsável pela tensão entre os grupos e voltou a defender a construção de consenso. “E tem quem diga que tudo é culpa da imprensa, mas dessa vez não é isso. O que existe é uma necessidade real de diálogo. Não há nada na vida que não possa ser resolvido com conversa”, afirmou.
O parlamentar afirmou ainda que pretende atuar como interlocutor para aproximar os dois líderes. “Eu me proponho, inclusive, a conversar com eles, para que possamos sentar e resolver isso com sensibilidade e responsabilidade, seguindo em frente de forma unida”, disse.
Para reforçar a importância do entendimento, ele citou situações do cotidiano. “Quando não há diálogo, isso aparece em qualquer lugar: dentro de casa, entre marido e mulher, na família ou no trabalho. Não existe problema que não possa ser resolvido com uma boa conversa”, argumentou.
Em tom mais descontraído, Damião concluiu sugerindo uma reunião direta entre os dois pré-candidatos. “Se for preciso, coloca os dois numa sala, conversa, e só saem de lá depois de se entenderem e, quem sabe, até se abraçando”, finalizou.
As declarações ocorrem em meio às movimentações políticas que antecedem a formação da chapa governista para este ano. Nos bastidores, aliados apontam dificuldades de sintonia entre os grupos ligados a João Azevêdo e Nabor Wanderley, especialmente na disputa por apoios municipais.
O cenário ganhou força nas últimas semanas com o avanço de Nabor junto a prefeitos e lideranças do interior. Parte desses gestores, que anteriormente demonstravam alinhamento com o grupo de João Azevêdo, passou a declarar apoio ao ex-prefeito de Patos.
A disputa por apoios acontece paralelamente às articulações da oposição, que também trabalha na construção de sua chapa majoritária para o próximo pleito. Nesse contexto, o movimento das lideranças municipais passa a ser decisivo para a configuração das alianças deste ano.
Apesar dos ruídos internos, lideranças governistas seguem defendendo a unidade do grupo político que hoje comanda o Estado.




