Durante o programa Senso Crítico, da FGTV e MRTV, nesta sexta-feira (23), o professor e cientista político Lúcio Flávio Vasconcelos analisou a polarização política, as estratégias eleitorais e a fragilidade dos partidos brasileiros. Para ele, a disputa continua marcada pela força das lideranças individuais e pela necessidade de apresentar propostas concretas à população.
“Eu queria ver qualquer um dos dois candidatos dizer: ‘Vou universalizar o direito à creche’, que está na Constituição, mas não é efetivado. O ensino fundamental e médio, de forma universal, também não seriam coisas mais palpáveis e interessantes?”, questionou.
Ao avaliar a campanha, o professor afirmou que o medo ocupou espaço importante nos discursos eleitorais, com abordagens sobre a perda de benefícios sociais e o combate à criminalidade. Ele ressaltou que problemas como a segurança pública exigem medidas efetivas, e não apenas promessas. “O indeciso é o voto mais difícil. Não é que ele seja alienado. Ao contrário, ele é mais criterioso, quer ver realmente aquele que pode solucionar os seus problemas”, declarou.
Lúcio Flávio também apontou dificuldades na identificação dos eleitores com os partidos, citando a fragmentação partidária e as frequentes mudanças de legenda. Para ele, esse cenário fortalece candidaturas centradas em figuras individuais. “As pessoas votam em pessoas, não votam em partidos. […] Você tem uma crise partidária. Isso fortalece o personalismo”, afirmou.
O cientista político avaliou ainda que a polarização entre o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL–RJ) permanece como eixo central da disputa nacional e destacou o peso do sobrenome Bolsonaro na projeção eleitoral de Flávio.
Assista a entrevista de Lúcio Flávio ao programa Senso Crítico da FGTV:
Globo promove hoje à noite o último debate entre Flávio Bolsonaro e Lula




