Ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), durante entrevista - Foto: Reprodução.

O ex-prefeito de João Pessoa e pré-candidato ao Governo da Paraíba, Cícero Lucena (MDB), voltou a comentar, nesta segunda-feira (13), a repercussão de declarações sobre a Ponte do Futuro – Governador José Targino Maranhão, que ligará João Pessoa a Cabedelo. O emedebista negou ter defendido o adiamento da obra e afirmou que sua posição foi distorcida ao tratar da necessidade de estabelecer prioridades na administração pública.

Segundo Cícero, a discussão sempre esteve relacionada à definição de investimentos em um cenário de escolhas administrativas, especialmente diante da necessidade de ampliar a segurança hídrica no Sertão. “Você me dá uma ótima oportunidade, porque isso é uma meia verdade. Não da sua parte, mas do trabalho da imprensa oficial do governo. O que eu disse foi o seguinte: governar é tomar decisões e definir prioridades. Se, lá atrás, eu tivesse que escolher entre investir R$ 300 ou R$ 400 milhões na transposição das águas para o Vale do Piancó, beneficiando mais de 400 mil pessoas sem segurança hídrica, eu faria a transposição. Em momento algum eu disse que adiaria a obra da ponte. Qualquer obra da Paraíba que estiver em andamento eu assumo o compromisso de concluir”, ressaltou durante entrevista ao programa CBN João Pessoa, da rádio CBN Paraíba.

Ao ser questionado se, na condição de governador, teria priorizado a transposição em vez da Ponte do Futuro, Cícero respondeu que o Estado teria condições de executar os dois projetos. “Governar é ter prioridade. Mas dava para fazer as duas obras. O próprio governo dizia que tinha R$ 4 bilhões em caixa. Se esse dinheiro estivesse aplicado, renderia cerca de R$ 40 milhões por mês. Então, havia condições de tocar as duas iniciativas. O que eu garanto é que, se o Governo Federal concluir a transposição para o Vale do Piancó, o Estado fará as adutoras para levar a água até as cidades”, ressaltou.

O pré-candidato também relembrou sua atuação quando ocupou o Ministério da Integração Nacional e afirmou ter participado das articulações que deram início ao projeto de transposição das águas do Rio São Francisco para a Paraíba. “Na época, o projeto previa apenas a passagem das águas pelo Estado rumo ao Rio Grande do Norte. Nós conseguimos apresentar uma alternativa que atendesse a Paraíba. Campina Grande sofria com racionamento, tinha água um dia e ficava dois sem abastecimento. Enfrentamos resistência de outros estados, mas firmamos convênio com o Exército Brasileiro para iniciar as primeiras etapas da obra. Eu vivi essa realidade e sei o que significa a falta d’água”, destacou.

Ao reforçar a defesa da segurança hídrica, Cícero afirmou que o problema ainda faz parte da rotina de diversos municípios paraibanos. “Quem já carregou água em lata sabe o valor que isso tem. Ainda hoje encontro cidades sem segurança hídrica, com falta de água nas torneiras ou sequer com rede de abastecimento. Estive recentemente em Cuité, onde prometeram uma adutora durante a campanha, instalaram canos, mas a população continua dependendo de poços. Em pleno 2026, há famílias comprando água de vizinhos porque o abastecimento prometido nunca chegou”, pontuou.

As declarações ocorrem após a repercussão de uma entrevista concedida anteriormente em Cajazeiras, quando Cícero defendeu que a expansão da transposição para o Vale do Piancó deveria ser tratada como prioridade estratégica. Segundo ele, aliados do governo interpretaram a fala como uma defesa da suspensão da Ponte do Futuro, interpretação que voltou a rejeitar. O emedebista reiterou que pretende dar continuidade e concluir todas as obras iniciadas pela atual gestão estadual, mas sustentou que investimentos em segurança hídrica precisam ocupar posição central na agenda de desenvolvimento da Paraíba.

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