A saúde pública foi um dos pontos mais tensos do primeiro debate entre os candidatos ao Governo da Paraíba, realizado nesta sexta-feira (7), com confronto direto entre Cícero Lucena (MDB) e Efraim Filho (PL). Ao questionar o adversário, Cícero abordou a dificuldade enfrentada por pacientes do interior, obrigados a percorrer longas distâncias para realizar exames e buscar atendimento especializado. O emedebista também citou a sobrecarga de João Pessoa e Campina Grande e questionou qual seria a alternativa de Efraim para enfrentar o problema da regulação. A resposta abriu espaço para críticas à gestão estadual e para uma nova rodada de acusações políticas.
Efraim afirmou que a Paraíba precisa deixar para trás um modelo que concentra serviços e obriga pacientes a percorrer grandes distâncias em busca de atendimento. O candidato do PL criticou episódios relacionados à saúde e citou casos envolvendo colírios vencidos em Campina Grande, além de mencionar os índices de mortalidade infantil e materna no Estado. “Aí é muito fácil viver de propaganda, mas um governo que está aí há 16 anos não sobrevive vivendo só de slogans. Cuidar das pessoas é essencial”, declarou. Para ele, a prioridade deve ser aproximar a estrutura de saúde da população e colocar o cidadão no centro das políticas públicas.
Na réplica, Cícero defendeu a descentralização da rede estadual e afirmou que o Governo da Paraíba precisa assumir sua responsabilidade no atendimento à população. “É inadmissível que o Estado sobrecarregue os municípios para ter que atender pacientes de outros”, disse. O candidato citou João Pessoa como exemplo, afirmando que a cidade teria cerca de 1,4 milhão de cartões SUS para uma população inferior a esse número, e criticou obras de saúde que, segundo ele, se arrastam por anos. “Garanto que vou botar todas as obras de saúde para funcionar. E mais: serão portas abertas”, afirmou, ao sustentar que unidades estaduais de portas fechadas acabam pressionando a rede municipal.
Na tréplica, Efraim elevou o tom e trouxe a Operação Calvário para o centro da discussão. “Nós temos um governo que convive com esses escândalos. Vem desde a Calvário, passou agora pelos laudos falsos no Metropolitano, e as coisas não melhoram”, afirmou. O candidato defendeu a criação de centros de especialidades e destacou uma emenda de R$ 20 milhões destinada aos passos iniciais do Hospital Metropolitano. O embate integrou o primeiro confronto direto da campanha ao Governo da Paraíba, promovido pela FGTV, MRTV, Portal Fonte83 e Blog do Márcio Rangel, com mediação do jornalista Márcio Rangel e transmissão para diferentes regiões do Estado.





