Presidente do Conselho Regional de Medicina da Paraíba, Bruno Leandro.

O presidente do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), Bruno Leandro, alertou para a baixa qualidade de cursos de Medicina no estado após o resultado do Enamed e anunciou que o Conselho Federal de Medicina vai publicar uma norma sobre o uso da Inteligência Artificial na prática médica.

Em entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, Bruno Leandro disse que os dados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica não causaram surpresa, embora sejam motivo de grande preocupação. Segundo ele, o próprio conselho vem alertando há anos sobre a fragilidade na formação médica, não apenas na Paraíba, mas em todo o país.

De acordo com o presidente do CRM-PB, quase 400 cursos de Medicina foram avaliados em nível nacional e mais de 100 receberam notas 1 ou 2, consideradas insuficientes. O cenário se torna ainda mais grave porque cerca de 40 mil estudantes participaram da avaliação e, desse total, aproximadamente 13 mil tiveram desempenho abaixo do mínimo esperado, mesmo já estando formados e, em alguns casos, com registro profissional ativo.

Bruno Leandro destacou que o Ministério da Educação, responsável por autorizar e fiscalizar os cursos, reconhece que milhares de profissionais chegaram ao mercado sem demonstrar a proficiência necessária. Para ele, isso reforça a necessidade de avançar com a criação de uma prova de proficiência, nos moldes do exame da OAB, defendida pelo conselho desde 2021.

O presidente do CRM-PB fez um apelo à sociedade para pressionar parlamentares pela aprovação do projeto de lei que institui a prova, que já passou pelo Senado e aguarda novas etapas no Congresso Nacional. Segundo ele, a discussão não deve ser ideológica, mas focada na segurança do paciente e na qualidade da saúde oferecida à população.

Durante a entrevista, Bruno Leandro também comentou o uso crescente da Inteligência Artificial na Medicina. Ele afirmou que a prática preocupa, especialmente diante da formação deficiente de parte dos novos profissionais, mas ponderou que a tecnologia não deve ser vista como vilã.

Segundo o presidente do conselho, a IA pode ser uma aliada importante, desde que não substitua o raciocínio clínico nem a relação direta entre médico e paciente. Ele informou ainda que o Conselho Federal de Medicina deve publicar, já nesta quinta-feira, uma norma específica para regulamentar o uso da Inteligência Artificial, definindo limites, permissões e responsabilidades.

Para Bruno Leandro, o momento exige união entre profissionais, gestores públicos e a sociedade para priorizar a qualidade da formação médica. “Não se trata de quantidade de médicos, mas de qualidade. É uma responsabilidade coletiva garantir uma saúde mais segura e eficiente para todos”, concluiu.

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