Presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), senador Nelsinho Trad (PSD-MS), recebe a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, que analisou os recentes desdobramentos referentes ao Acordo UE-Mercosul e seus benefícios para a União Europeia e para o Brasil. Presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), senador Nelsinho Trad (PSD-MS), concede entrevista. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o líder da Câmara, Hugo Motta, estipularam prazo apertado para a tramitação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. A medida foi destacada pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS) em entrevista nesta quinta-feira (22), após encontro com a embaixadora da UE no Brasil, Marian Schuegraf.

Nelsinho Trad explicou que o Executivo deve encaminhar o texto a Hugo Motta, responsável por ativar a delegação brasileira no Parlasul. Em seguida, o documento passará pelas comissões da Câmara e, depois, pelo Senado, caso receba aval dos deputados. A previsão é que Motta reúna os líderes no fim deste mês para definir o cronograma de votação.

Obstáculos na União Europeia

Do lado europeu, o Parlamento aprovou o envio do texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) na quarta-feira (21), aguardando um parecer jurídico antes de seguir para a votação final. Foram 334 votos a favor, 324 contrários e 11 abstenções. Marian Schuegraf destacou que a agilidade no Congresso brasileiro pode estimular a rapidez dos procedimentos na UE.

Subcomissão para acompanhamento

Para garantir atenção contínua à proposta, Nelsinho Trad vai sugerir a criação de uma subcomissão no Senado assim que o acordo chegar à Casa. O grupo terá a missão de monitorar cada etapa do processo legislativo e pressionar pela aprovação. O senador anunciou ainda um plano de atuação em três frentes: articulação com Itamaraty e Casa Civil, diálogo permanente com autoridades europeias e mobilização política internacional, envolvendo eurodeputados e lideranças de países favoráveis ao pacto.

Impactos previstos e logística do acordo

O texto estabelece a eliminação ou redução gradual de até 90% das tarifas de importação e exportação em um período de dez anos, além da expansão de cotas para produtos como carne, etanol, açúcar e arroz. As negociações se estendem desde 1999. Segundo Nelsinho Trad, o acordo trará mais empregos e investimentos ao interior do Brasil, incluindo Mato Grosso do Sul, que exportou US$ 1,3 bilhão à União Europeia em 2025.

Os dois blocos abrangem cerca de 718 milhões de consumidores e um PIB conjunto estimado em US$ 22 trilhões, ampliando de forma significativa o acesso dos produtores brasileiros a mercados europeus.

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