Uma reportagem publicada pela Folha de S.Paulo revelou que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e outros seis parlamentares concentraram R$ 1,5 bilhão em emendas de comissão no Orçamento de 2025. O valor representa cerca de 20% dos R$ 7,5 bilhões destinados por esse tipo de recurso, mesmo o grupo correspondendo a apenas 1,4% dos deputados federais.
Segundo o levantamento, Hugo Motta aparece como o segundo parlamentar que mais indicou recursos, com R$ 180,5 milhões. Parte significativa da verba, de acordo com a reportagem, foi destinada a municípios cujos prefeitos declararam apoio à pré-candidatura ao Senado de Nabor Wanderley, pai do deputado e ex-prefeito de Patos.
As chamadas emendas de comissão ficaram conhecidas nos bastidores como uma espécie de continuação do antigo “orçamento secreto”, já que até 2024 não havia divulgação clara sobre os autores das indicações. Após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), os nomes dos padrinhos políticos passaram a ser identificados oficialmente.
A matéria também aponta reclamação de deputados sobre desigualdade na divisão dos recursos. Parlamentares ouvidos reservadamente afirmaram que o volume concentrado em poucos nomes pode influenciar diretamente as eleições de 2026, fortalecendo grupos com maior poder financeiro e político.
Em nota à Folha, Hugo Motta afirmou que a distribuição seguiu critérios partidários e priorizou áreas estratégicas como saúde e infraestrutura para os municípios brasileiros.