Deputado federal, Mersinho Lucena.

O deputado federal Mersinho Lucena (PP) respondeu, nesta sexta-feira (12), às críticas da presidente estadual do PT na Paraíba, deputada Cida Ramos, que afirmou que o voto dele a favor do projeto da dosimetria, que reduz penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro e pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), “cria dificuldades de aproximação” com a pré-candidatura ao governo do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), pai de Mersinho.

O parlamentar rebateu dizendo que votou “com consciência e palavra”, e que segue comprometido com o diálogo e com a aliança com o PT na Paraíba. “Tenho o maior respeito por Cida. Acredito que, no calor das discussões desta semana na Câmara, possa ter havido algum questionamento sobre meu voto na dosimetria. Mas eu não mudei uma vírgula do que sempre declarei, inclusive desde abril, quando votei pela urgência do projeto da anistia. Minha posição é a mesma”, afirmou.

Segundo ele, seu voto segue a mesma linha de críticas feitas por ministros do próprio STF sobre o excesso de algumas punições aplicadas após os atos golpistas de 8 de janeiro: “Eu vi exageros do STF, inclusive divergências internas, como disse o ministro Fux, de pessoas que estavam recebendo penas acima do que poderiam. Sempre defendi a dosimetria e continuo com a minha consciência. Votei. Tive coragem de votar, enquanto outros se abstiveram. É importante dizer isso.” disse em declaração foi dada ao programa Arapuan Verdade, da rádio Arapuan FM.

O deputado também reafirmou que segue comprometido com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com o projeto político que envolve o prefeito Cícero: “Minha palavra continua firme: trabalhar pela reeleição do presidente Lula e por um Brasil melhor.”

Em tom mais duro, Mersinho reagiu à fala de Cida Ramos sobre um suposto distanciamento político: “Se há distanciamento por causa de um voto de dosimetria, imagina o que deveria haver com alguém que foi ministro da presidente Dilma, que estava contando votos na véspera do impeachment e, no dia, votou a favor da cassação dela. Acredito na coerência do PT para enxergar quem realmente está trabalhando pela reeleição de Lula, e não quem se esconde em votações importantes.”

O deputado também mencionou, de forma indireta, a ausência do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP) na votação, tio do vice-governador e pré-candidato ao governo, Lucas Ribeiro (PP). Mersinho afirmou que, enquanto ele manteve seu posicionamento e registrou voto, outros preferiram não participar da decisão. “Pelo menos eu tive coragem. E estarei sempre com a coragem e a vontade de fazer aquilo que minha consciência manda e aquilo em que eu acredito.”

Com a declaração, Mersinho reforça que pretende manter o diálogo com o PT e sustentar a aliança em torno da pré-candidatura de Cícero Lucena, apesar da divergência sobre a dosimetria. O episódio, porém, expõe um ponto de tensão dentro do campo governista e deve continuar repercutindo nas negociações políticas que antecedem as definições para 2026.

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