Com o aumento dos prejuízos provocados pelas fortes chuvas em João Pessoa e em outras cidades da Paraíba, vereadores da oposição na Câmara Municipal passaram a defender mudanças no orçamento previsto para os festejos juninos da capital. Entre as propostas apresentadas estão a realocação de emendas destinadas ao São João, redução de cachês de artistas nacionais e priorização de atrações locais.

As declarações ocorreram em meio ao cenário de emergência enfrentado por milhares de famílias atingidas por alagamentos, deslizamentos e perdas materiais nos últimos dias.

O vereador Guga Pet (PP) propôs que parlamentares revejam as emendas destinadas à Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) para direcionar os recursos ao atendimento das vítimas das chuvas.

Segundo ele, o momento exige prioridade para ações emergenciais e apoio às famílias que perderam bens e moradias.

“Todos os vereadores que destinaram as emendas da Funjope para o São João, a gente possa rever isso e doar para relocar para poder ajudar as famílias que mais precisam, que perderam tudo. São João a gente vai ter todo ano”, afirmou.

A fala surge em meio ao debate sobre os altos investimentos públicos em eventos festivos enquanto municípios enfrentam dificuldades para atender desabrigados e recuperar áreas afetadas pelas chuvas.

Já o vereador Fábio Carneiro (Solidariedade) defendeu a criação de um teto para os cachês pagos a artistas contratados para o São João de João Pessoa.

Na avaliação do parlamentar, o atual cenário financeiro e a crise provocada pelas chuvas tornam inviável a contratação de atrações com valores milionários.

“Grandes bandas aqui tocar uma hora e ir embora com mais de um milhão de reais, nesse momento de crise financeira na prefeitura e essa questão das chuvas, é impossível a gente aceitar”, declarou.

A proposta do vereador é estabelecer um limite de até R$ 200 mil para os cachês pagos com recursos públicos durante os festejos juninos.

O vereador e músico Mô Lima (PP) também entrou no debate, mas defendeu a manutenção das festividades juninas com foco em artistas locais e atrações de menor custo.

Segundo ele, a medida ajudaria a preservar a tradição cultural do São João ao mesmo tempo em que reduziria os gastos da prefeitura.

“Contratar só os artistas pequenos, que têm cachê abaixo de 100 mil reais, 50 mil reais. Tem artista de trio pé-de-serra em João Pessoa que passa o ano inteiro esperando para tocar numa quadrilha junina, no bairro, ou em algum evento, pra ganhar 3.500 reais, 5.000 reais”, disse.

Mô Lima afirmou ainda que o momento pode servir para fortalecer os músicos da terra, que muitas vezes ficam fora das grandes programações oficiais.

As discussões acontecem enquanto a capital paraibana e cidades da região metropolitana seguem contabilizando prejuízos causados pelas chuvas intensas registradas nos últimos dias. Entre os problemas enfrentados estão famílias desalojadas, comunidades isoladas, danos em infraestrutura urbana e perdas materiais em diversos bairros da cidade.

O tema deve ganhar novos desdobramentos nos próximos dias dentro da Câmara Municipal, principalmente diante da pressão para ampliar ações emergenciais e assistência social às famílias atingidas.

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