Entre acusações e defesa da família, Rostand e Alexandre protagonizam embate na Câmara de Campina.

A sessão desta quinta-feira (22) na Câmara Municipal de Campina Grande (CMCG) foi marcada por provocações entre os vereadores Rostand Paraíba (PP) e Alexandre do Sindicato (PL), em meio à polarização entre apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Durante o debate, Rostand mencionou a trajetória de Seu Didi da Banca, pai adotivo de Alexandre, e fez referências à antiga atividade ligada ao jogo do bicho, levando a discussão para o campo pessoal.

Ao discursar na tribuna, Rostand também criticou empresários que, segundo ele, contraíram empréstimos e deixaram dívidas sem pagamento. O parlamentar citou o caso da Gabi Moto e questionou os resultados do empreendimento, afirmando que houve apoio para sua instalação em Campina Grande, mas que o responsável pelo negócio teria desaparecido.

Na sequência, Rostand direcionou as críticas a Alexandre ao mencionar a relação do vereador com pessoas que, segundo ele, tiveram envolvimento com o jogo do bicho. “Esse rapaz aí que sobe aqui quer falar dos outros. […] Naquele tempo, jogo do bicho até hoje. E naquele tempo era pior ainda”, declarou. Em outro trecho, ao fazer referência ao passado, afirmou que havia pessoas que trabalharam com atividades ilícitas e que, atualmente, se apresentam como honestas. A fala foi direcionada ao contexto da discussão sobre a trajetória de Seu Didi da Banca.

Alexandre do Sindicato respondeu sem citar diretamente o colega em todos os momentos e afirmou que não pretendia descer ao nível das provocações. “Eu me orgulho muito de ter vindo de onde eu vim e de ter trabalhado com quem eu trabalhei”, disse. O vereador também declarou que, até onde sabe, a pessoa mencionada nunca havia sido citada em processo ou submetida a investigação. “É alguém que entrou limpo e ainda continua limpo”, afirmou.

Na resposta, Alexandre criticou o uso da tribuna para atingir a imagem de outras pessoas e disse que prefere preservar a própria trajetória. “Eu tenho uma história e construí essa história aqui às duras penas”, declarou. O parlamentar também sugeriu que os vereadores discutissem a utilização das verbas indenizatórias dos gabinetes, com atenção aos locais e às formas de aplicação dos recursos. Ao abordar o cenário político, reafirmou sua identificação com a direita e o bolsonarismo.

O embate ocorre a três dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para este domingo (25), quando Lula e Flávio Bolsonaro disputam a Presidência da República. Na Paraíba, Lula obteve 61,31% dos votos válidos no primeiro turno, contra 33,07% de Flávio. Em Campina Grande, a diferença foi menor: Lula alcançou 48,40%, enquanto Flávio recebeu 44,41%. A disputa nacional tem alimentado divergências entre representantes dos dois campos políticos também no Legislativo municipal.

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