O ano chega ao fim com um movimento pouco comum, e politicamente simbólico, em algumas câmaras municipais da Paraíba. Em meio a discursos frequentes sobre falta de recursos, vereadores de Santa Luzia, Monteiro, Serra Branca e Alagoa Nova decidiram fechar as contas devolvendo parte dos duodécimos às prefeituras. Na prática, economizaram durante o exercício e abriram os cofres para reforçar o caixa dos Executivos.
O caso que mais chama atenção é o de Santa Luzia, no Sertão. O presidente da Câmara, Félix Júnior (Republicanos), anunciou a devolução de R$ 650 mil aos cofres do município. O valor representa mais de 10% do orçamento anual do Legislativo, que em 2025 foi de aproximadamente R$ 5,3 milhões. Um gesto que repercutiu nos bastidores políticos locais e serviu de vitrine administrativa para a Mesa Diretora.
No Cariri, a Câmara de Monteiro também oficializou a devolução de recursos, no valor de R$ 223 mil. Diferentemente de outros municípios, os vereadores já indicaram o destino do dinheiro: a construção de um elevador de acessibilidade. A obra, antiga reivindicação da população, deve atender tanto o prédio da Prefeitura quanto o da própria Câmara, ampliando o acesso a pessoas com mobilidade reduzida.
Em Alagoa Nova, no Brejo paraibano, o presidente da Câmara, Ícaro Teixeira(PSD), comunicou a devolução de R$ 82 mil à prefeitura. Segundo ele, o montante é resultado direto de medidas de contenção de despesas adotadas ao longo do ano, com foco em enxugar custos administrativos sem comprometer o funcionamento da Casa Legislativa.
Embora os valores variem de município para município, o gesto tem peso político e administrativo. A devolução de recursos funciona como um “bônus” para os prefeitos neste fechamento de exercício, especialmente em um cenário em que as finanças públicas costumam ficar mais apertadas no segundo semestre.
Ainda assim, segundo a Federação das Associações de Municípios da Paraíba (Famup), os gestores municipais encerram o ano sem grandes motivos para reclamação quando o assunto é repasse federal. As 223 prefeituras do Estado receberam, ao longo de 2025, um incremento de R$ 198 milhões no Fundo de Participação dos Municípios (FPM), o que garantiu maior previsibilidade financeira.
Entre gestos de economia, disputas silenciosas por protagonismo político e contas relativamente equilibradas, o fim de ano nos legislativos municipais paraibanos deixa um recado claro: em tempos de cobrança por responsabilidade fiscal, devolver dinheiro também rende dividendos, inclusive eleitorais.
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