Vereador de João Pessoa, Guguinha Moov Jampa (PSD), durante entrevista à imprensa na CMJP - Foto: Dayana Lucas.

O vereador Guguinha Moov Jampa voltou ao centro do debate na Câmara Municipal de João Pessoa após reapresentar um projeto de lei que cobra a implantação de ponto eletrônico para profissionais da saúde, incluindo médicos. A iniciativa provocou reações e ataques nas redes sociais, o que levou o parlamentar a se pronunciar publicamente para rebater críticas e negar qualquer perseguição à categoria médica.

Em vídeo divulgado após a sessão, Guguinha afirmou que o projeto foi elaborado com cautela para evitar questionamentos jurídicos, como ocorreu em tentativa anterior barrada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Segundo ele, a proposta agora abrange toda a categoria da saúde, justamente para não ferir o princípio da isonomia.

“O projeto foi feito com muito cuidado. No ano passado disseram que era inconstitucional porque atingia só uma categoria. Agora é para toda a área da saúde”, explicou.

O vereador relatou que técnicos de enfermagem e enfermeiros o procuraram para apoiar a iniciativa, alegando desigualdade no cumprimento da jornada de trabalho. “Eles dizem: ‘Guga, eu chego no horário todo dia. Por que o médico não precisa chegar no horário certo?’”, contou.

Diante das críticas, Guguinha foi enfático ao afirmar que não é contra médicos. “Eu não sou contra médico, eu não persigo médico e ninguém da área da saúde. A profissão de médico é louvável, assim como a de enfermeiro e técnico. São profissões que salvam vidas”, disse. Ele reforçou, no entanto, que todos são servidores públicos e devem cumprir as regras previstas na Constituição. “Servidor público tem que bater ponto eletrônico, independente de quem seja”, declarou.

Na avaliação do parlamentar, a falta de controle de frequência prejudica principalmente a população mais pobre, que depende do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele citou relatos de unidades básicas sem médicos, medicamentos ou profissionais substitutos, mesmo com pacientes aguardando atendimento desde a madrugada.

“Não é justo que as pessoas fiquem de quatro, cinco horas da manhã esperando uma ficha e o médico não compareça ou chegue às dez e saia às onze”, afirmou, ressaltando que as denúncias partem da própria população.

Guguinha também reagiu aos ataques pessoais que recebeu após a reapresentação do projeto. “Quando eu sofro ataques, eu me pergunto: qual o crime que eu estou cometendo? Defender o povo mais humilde?”, questionou. Segundo ele, quem tem plano de saúde ou condições de pagar uma clínica particular não sente os efeitos da precariedade do serviço público.

Ao final, o vereador garantiu que seguirá defendendo a proposta até o fim da tramitação. “Essa vai ser minha luta. Não é justo que Dona Maria e Seu Zé saiam de casa cedo e não sejam atendidos porque alguém não foi trabalhar”, disse. Ele ainda afirmou que cumpre rigorosamente suas obrigações como vereador, batendo ponto e participando de sessões e comissões.

“Eu acredito no SUS. O que falta são gestores e respeito com quem mais precisa”, concluiu.

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