A última sessão do ano na Câmara Municipal de Caaporã terminou em confusão e sem a votação de qualquer matéria, incluindo a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 nesta terça-feira (30). O tumulto impediu o andamento dos trabalhos legislativos e levou ao encerramento antecipado da sessão.
A discussão foi protagonizada pelos vereadores de situação Neném Morais (União Brasil) e Camarão (Republicanos) contra o presidente da Casa, Otto Mariano (MOBILIZA). O embate acabou se estendendo ao advogado da Câmara, Tadeu Coatti, e ao jornalista Luciano Broncador, que fazia a cobertura da sessão.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o bate-boca generalizado no plenário e momentos de grande tensão entre os parlamentares. Em determinado momento, a discussão ganha tom mais acalorado, contribuindo para o clima de instabilidade que levou à paralisação dos trabalhos.
De acordo com o jornalista Luciano Broncador, os ânimos já estavam exaltados desde o início da sessão. Segundo ele, vereadores da base aliada ao prefeito Chico Nazário (UNIÃO) pressionavam para que o presidente da Câmara colocasse em pauta, ainda neste ano, projetos enviados pelo Poder Executivo.
Entre as matérias defendidas pela base governista está um projeto que cria novos cargos na estrutura administrativa do município. Conforme relatado, a proposta prevê a criação de 117 cargos, incluindo subsecretarias, com impacto estimado em quase R$ 1 milhão na folha de pagamento da Prefeitura. Diante disso, Otto Mariano encaminhou o projeto ao Ministério Público da Paraíba, que emitiu parecer favorável à decisão do presidente de não colocar a matéria em votação neste momento.
Além disso, outro ponto de conflito foi um projeto de desafetação de áreas públicas para possível instalação de empresas. Segundo as informações, mais de cinco hectares já teriam sido desafetados anteriormente, sem que houvesse a efetiva implantação de empreendimentos no local. Mesmo assim, a base governista defendia a liberação de novas áreas, o que também foi barrado pelo presidente da Câmara, que afirma estar agindo dentro da legalidade e respaldado por pareceres técnicos.
Diante da negativa do presidente em pautar os projetos, sete vereadores da situação se retiraram do plenário, restando apenas quatro parlamentares da oposição. Com a falta de quórum e o clima de tensão, a sessão foi encerrada sem a votação de nenhuma matéria, incluindo a LOA para 2026.
O episódio expôs o acirramento político entre base e oposição no Legislativo municipal e deve repercutir nos próximos dias, tanto no campo político quanto jurídico, especialmente em relação ao orçamento do município para o próximo ano.
A equipe de jornalismo do portal FONTE83 tentou contato com os vereadores envolvidos na confusão para ouvir o posicionamento e apresentar o outro lado dos fatos. Até o fechamento desta matéria, no entanto, não houve retorno por parte dos parlamentares citados. O espaço segue aberto para manifestações.
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