Comissão composta de vereadores durante reunião com direção do Parque Arruda Câmara, em João Pessoa.

O vereador Marcos Henriques (PT), membro da Comissão Especial criada para acompanhar os desdobramentos da morte do jovem Gerson Silva no Parque Zoobotânico Arruda Câmara (Bica), voltou a criticar a administração municipal durante visita ao equipamento nesta quarta-feira (4). Para ele, a tragédia evidencia não apenas falhas de segurança no parque, mas o colapso da rede de assistência em saúde mental de João Pessoa.

Marcos relatou que, durante a visita, questionou a direção da Bica sobre a vulnerabilidade que permitiu ao jovem escalar o muro e chegar ao recinto da leoa. Segundo ele, a direção discordou de que houve falha, mas admitiu que reforços devem ser feitos.

“Disseram que não houve erro, que foi um ponto fora da curva, respeito a posição, mas defendemos reforço urgente na segurança, especialmente onde há animais ferozes”, afirmou.
Apesar disso, o vereador disse que essa discussão representa apenas “1% do problema”.

Para ele, é impossível entender o caso sem olhar para a precariedade da rede de saúde mental do município.

“A gente precisa saber o que causou isso. Os CAPS são insuficientes, faltam profissionais, faltam leitos de acolhimento. Você acaba com os manicômios, mas não cria alternativas. O município não está tendo esse acolhimento”, criticou.

Crítica à fala do secretário de Saúde

Durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, também citada na conversa, o secretário Luís Ferreira declarou que psicólogos, CAPS ou psiquiatras não seriam suficientes para resolver casos como o do jovem, afirmando que “não adianta ter psicólogo e passar fome e não ter onde dormir”.

Ao comentar a fala, Marcos Henriques foi direto.

“É tirar a responsabilidade dele. A rede de atenção psicossocial é obrigação do município. Quando não há acolhimento adequado, o executivo está descumprindo seu papel. Não dá para generalizar e fugir da realidade das debilidades da saúde em João Pessoa.”

Segundo o parlamentar, a postura de Luís Ferreira transfere responsabilidades enquanto os serviços seguem funcionando com carências graves.

Defesa da convocação dos secretários

O vereador também comentou o debate acalorado na Câmara sobre a convocação do secretário de Meio Ambiente, Wellington Silveira, para prestar esclarecimentos. Parte dos parlamentares defendeu que a comissão especial já seria suficiente. Marcos discorda.

“A prática de convocar secretário deveria ser comum. O Congresso chama ministro, a Assembleia chama secretário. Por que no município não pode? É necessário ouvir Wellington e também o secretário de Saúde”, disse.

Ele afirmou que já solicitou ao presidente da Câmara que a comissão também faça uma visita ao secretário Luís Ferreira.

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