Tenente-coronel Viviane, durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa - Foto: Dayana Lucas.

A tenente-coronel da Polícia Militar da Paraíba (PMPB) Viviane Vieira participou, nesta semana, do programa Ô Paraíba Boa, da rádio 100.5 FM, onde falou sobre sua experiência como mãe atípica, abordando desafios, aprendizados e a importância da rede de apoio para famílias que convivem com condições do neurodesenvolvimento.

Durante a entrevista, Viviane se emocionou ao relatar a relação com o filho e o impacto da maternidade em sua rotina. “Não tem como eu não me arrepiar quando eu falo do meu filho. Eu digo que ele é minha ‘criptonita’. Quando aceitei o laudo, passei a lutar por ele. A maternidade faz com que você coloque o centro da sua vida em outra pessoa, entregando tempo, cuidado e amor, muitas vezes abrindo mão de si mesma”, afirmou.

Ao comentar o momento do diagnóstico, ela destacou a importância da aceitação familiar como fator determinante para o desenvolvimento da criança. “A família precisa aceitar o laudo. Muitas vezes, a criança não evolui porque há resistência. Isso pode interromper processos importantes, como as intervenções terapêuticas. Quando começou a medicação, foi difícil emocionalmente, mas eu sabia que era necessário para o bem dele”, disse.

Viviane também abordou a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas ao atendimento de crianças com necessidades específicas, defendendo a descentralização dos serviços. “Um dos meus sonhos é que existam polos regionais de atendimento terapêutico, com integração entre municípios, estado e até o governo federal. Isso permitiria alcançar famílias no interior, que muitas vezes não têm acesso a esses serviços”, declarou.

A tenente-coronel citou ainda iniciativas voltadas à inclusão, como a proposta de implantação de um parque sensorial na Granja Santana, mencionada pelo governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), destacando o impacto de ações desse tipo para famílias atípicas. “Quando se fala em inclusão, isso representa muito para quem vive essa realidade. São ações que olham para pessoas que, muitas vezes, não são vistas”, afirmou.

Ao longo da entrevista, Viviane também descreveu conquistas do cotidiano que, segundo ela, têm grande significado no contexto da maternidade atípica. “Coisas simples, como ver um filho comer sozinho, vestir uma roupa ou desenvolver autonomia, são conquistas muito importantes. Para muitas pessoas isso pode parecer comum, mas para essas famílias tem um valor enorme”, relatou.

O termo “mãe atípica” é utilizado para descrever mulheres que acompanham filhos com condições do neurodesenvolvimento, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, entre outras. A rotina dessas famílias envolve acompanhamento terapêutico contínuo, adaptações no dia a dia e participação ativa no processo de desenvolvimento da criança.

Especialistas apontam que esse contexto pode gerar sobrecarga física e emocional, além de desafios relacionados à falta de acesso a serviços, preconceito e necessidade de suporte institucional, fatores que reforçam a importância de políticas públicas voltadas à inclusão e ao atendimento especializado.

Assista abaixo a entrevista da Tenente-Coronel Viviane ao programa Ô Paraíba Boa:

Tenente-coronel Viviane Vieira não descarta disputar vaga na Assembleia e reafirma luta pelo autismo: “O futuro a Deus pertence”

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