Secretário de Saúde de João Pessoa, Dr. Luis Ferreira.

O secretário de Saúde de João Pessoa, Dr. Luís Ferreira Filho, reagiu duramente nesta sexta-feira (23) às críticas feitas pelo secretário de Estado da Saúde, Dr. Ari Reis, e fez alertas considerados graves sobre o impacto do impasse entre Município e Estado no atendimento à população, especialmente em casos de urgência, como AVC e emergências dialíticas.

Em entrevista ao programa Arapuan Verdade, da Rádio Arapuan FM, Luís Ferreira afirmou que a falta de pactuação entre as redes compromete diretamente vidas e não pode ser tratada como disputa política. “Isso não é uma discussão política, é uma discussão de vida. As pessoas morrem quando a gente começa nessa picuinha de quem faz mais aqui ou ali”, afirmou.

O secretário explicou que houve mudanças no fluxo de atendimento, especialmente envolvendo pacientes com Acidente Vascular Cerebral (AVC), que antes eram absorvidos por unidades estaduais após entrada em hospitais de porta aberta. “Paciente que sofre um AVC dava entrada no Ortotrauma e depois seguia para o Metropolitano. Hoje, esse paciente não consegue mais ir. O trauma não recebe mais”, relatou.

Segundo ele, a situação se agrava também em casos de urgências dialíticas, envolvendo pacientes com falência renal.“Como é que eu coloco a cabeça no travesseiro à noite sabendo que deixei de receber uma emergência dialítica?”, questionou.

Luís Ferreira revelou que todas as negativas de atendimento já foram comunicadas ao Ministério Público e estão sendo formalmente registradas. Ele defendeu a necessidade de um “encontro de contas” técnico entre Município e Estado.“Se a gente for pegar na ponta do lápis, João Pessoa quebra a saúde do Estado. Não tem para onde ir”, declarou.

Apesar do tom duro, o secretário disse estar aberto ao diálogo e negou qualquer orientação política por parte do prefeito Cícero Lucena (MDB). “O prefeito nunca me chamou para fazer ataque político. Nunca houve pauta pré-estabelecida. Essa discussão é técnica”, reforçou.

Ele afirmou ainda que a anormalidade no atendimento vem sendo observada há cerca de 90 dias e que, caso o Estado deixe de receber pacientes da capital, será necessário um período de transição para reorganizar a rede municipal.

Entenda o embate

A reação de Luís Ferreira ocorre após o secretário de Estado da Saúde, Ari Reis, contestar publicamente as declarações do gestor municipal, na quinta-feira (22), também durante entrevista à Rádio Arapuan.

Ari acusou a Prefeitura de João Pessoa de tentar transferir responsabilidades ao Estado, apontou falhas estruturais na rede municipal e afirmou que a capital possui a segunda pior avaliação do Previne Brasil na Paraíba. Ele também cobrou uma suposta dívida de R$ 19 milhões da Prefeitura referente a atendimentos realizados pela rede estadual.

O embate evidencia um impasse institucional que, segundo especialistas, pode afetar diretamente o atendimento à população caso não haja uma pactuação formal entre os dois entes.

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