A secretária de Estado da Mulher e da Diversidade Humana, Lídia Moura, falou sobre o enfrentamento à violência contra a mulher. Na conversa, ela citou o recente caso envolvendo o cantor João Lima, acusado de agredir a esposa, a médica e influenciadora Raphaella Brilhante, que ganhou grande repercussão pública na Paraíba.
Segundo Lídia, a orientação do governador João Azevêdo (PSB) é clara no que diz respeito ao tratamento desses casos. “A ordem direta do governador é que a gente priorize o cuidado com a vítima. Isso foi feito. A Polícia Civil foi muito célere, muito rápida. O pedido de prisão chegou à Justiça e a juíza respondeu prontamente”, afirmou, ao agradecer a atuação da magistrada Ana Carla Falcão.
A secretária destacou que, apesar da experiência das equipes que lidam diariamente com casos de violência, situações como a de Raphaella expõem o quanto a sociedade ainda está aprendendo a enfrentar esse tipo de crime. Para ela, a ampla repercussão do episódio teve um papel importante. “Foi um caso que mobilizou a sociedade, causou perplexidade, indignação e uma cobrança por respostas. E essas respostas estão sendo dadas dentro do que a lei permite, respeitando todo o rito processual”, explicou durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, da rádio 100.5 FM.
Lídia ressaltou que, mesmo com a visibilidade do caso, o foco precisa continuar sendo a proteção da vítima. Ela lembrou que Raphaella segue inserida no ciclo da violência e que medidas de proteção continuam sendo fundamentais. Entre elas, está a possibilidade de inclusão no programa Patrulha Maria da Penha, respeitando sempre a autonomia da mulher. “O agressor pode reagir de formas imprevisíveis. Um homem que agride a companheira cinco dias após o casamento demonstra um nível extremo de violência”, pontuou.
Durante a entrevista, a secretária também comentou sobre a necessidade de endurecimento das leis. Ela reconheceu que, embora o feminicídio tenha penas elevadas, que variam de 20 a 40 anos de prisão, outras formas de violência ainda encontram brechas que permitem que agressores respondam em liberdade. “É muito fácil o sujeito se safar desses crimes. Muitos chegam à Justiça com o discurso do arrependimento, de que são bons pais e bons cidadãos, e isso não pode minimizar a gravidade da violência”, criticou.
Lídia citou exemplos recentes de casos em que não houve prisão preventiva, mas também lembrou condenações emblemáticas, como a de João Paulo Casado, sentenciado a nove anos de prisão por agressão à companheira. Para ela, o sistema de Justiça começa a dar respostas, mas ainda há um longo caminho a percorrer. “Mesmo com a lei que temos, a Justiça não pode contemporizar nem aliviar esses crimes”, afirmou.
Ao final da entrevista, a secretária deixou uma mensagem direta às mulheres que ainda vivem em silêncio situações de violência. “Não é fácil sair desse processo, ninguém sai sozinha. Existe uma rede de proteção”, disse. Ela orientou que, mesmo aquelas que ainda não se sentem prontas para denunciar, procurem os Centros de Referência de Atendimento à Mulher. “Lá, essa mulher vai entender o ciclo da violência, receber apoio psicológico, social e jurídico, para, no seu tempo, conseguir dar o passo de romper com esse ciclo”, concluiu.
Assista a entrevista com Lídia Moura no Ô Paraíba Boa:
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Cantor João Lima é preso após denúncias de violência contra a ex-esposa
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