Durante o programa Senso Críticoda FGTV, nesta sexta-feira (18), apresentado pelo jornalista Klauber Beserra, o reajuste do Bolsa Família anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou no centro do debate. A medida, divulgada na quinta-feira (17), eleva o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691, com efeitos financeiros a partir de outubro. Segundo o governo, a correção de 15,04% recompõe a inflação acumulada entre março de 2023 e agosto de 2026.
Os apresentadores do programa Ô Paraíba Boa, da Rádio 100.5 FM, o comunicador Rudney Araújo e o jornalista Edney Oliveira, participaram da discussão. Edney questionou o momento escolhido para o reajuste e fez uma comparação com medidas adotadas durante o governo Jair Bolsonaro, defendendo que o programa tenha correções periódicas, mas criticando a proximidade da atualização com a eleição. “O que chama a atenção é a forma tardia que isso acontece. Friso mais uma vez: teve bastante janela para que isso ocorresse”, afirmou.
Edney também declarou que, na avaliação dele, o reajuste pode ser interpretado como uma tentativa de compra de votos. “Não questiono o Bolsa Família, inclusive defendo um reajuste de acordo com a inflação, mas acontecer isso às vésperas de uma eleição é sim abuso de poder econômico e uma tentativa de compra de voto, na minha análise”, disse. A manifestação ocorreu no contexto do debate político, enquanto o governo afirma oficialmente que a atualização corresponde à recomposição inflacionária prevista no decreto que regulamentou os novos valores.
Klauber Beserra lembrou que o benefício mínimo passará para R$ 691 e que o valor médio estimado subirá de R$ 675 para R$ 777, com os pagamentos dos novos valores previstos a partir de 19 de outubro. Em seguida, questionou Rudney sobre a proposta defendida pelo ex-presidenciável Ciro Gomes de transformar a transferência de renda em uma política de Estado, e não vinculada a determinado governo. Rudney concordou parcialmente e defendeu regras para impedir aumentos em períodos eleitorais.
“Eu acho interessante, até porque se um programa como esse vira um programa institucional, ele pode acontecer a qualquer momento, seja no período eleitoral ou não”, afirmou Rudney. Ele acrescentou que a legislação poderia estabelecer uma janela de vedação para reajustes: “O que eu acho que deveria ser proibido era que o governo pudesse e tivesse a prerrogativa de dar acréscimo nesse período”. O debate também abordou a necessidade de preservar os pagamentos durante a campanha, sem interromper o programa para os beneficiários.
Assista abaixo o programa Senso Crítico da FGTV:
André Mendonça rejeita ação que questionava reajuste do Bolsa Família




