A poucos dias do encerramento do prazo para registro de candidaturas, o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) concentra esforços na análise dos pedidos e na preparação da estrutura para as eleições de 2026. O presidente da Corte, desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos, afirmou nesta segunda-feira (10) que, além da celeridade processual e da segurança das urnas, a segurança pública se tornou uma das principais preocupações do tribunal. Ele destacou a necessidade de garantir eleições livres da interferência de organizações criminosas. Segundo o desembargador, o planejamento para o pleito foi construído em conjunto com as forças de segurança estaduais e federais.
Márcio Murilo também explicou por que o TRE-PB indeferiu três solicitações inicialmente encaminhadas por zonas eleitorais que pediam o envio de tropas federais para reforçar a segurança durante o pleito. O desembargador lembrou que, nas eleições de 2024, sete municípios paraibanos receberam tropas federais e explicou que o cenário atual levou a Corte a adotar outra estratégia. “Eu atribuo isso a planejamento. Foi dentro do tripé que nós temos de trabalho no TRE, que é celeridade processual, urnas seguras. O terceiro ponto do tripé foi a segurança pública”, afirmou durante entrevista à TV Cabo Branco, e à rádio CBN Paraíba. Segundo ele, reuniões com Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros apontaram que não haveria, neste momento, necessidade de deslocamento de tropas do Exército para a Paraíba.
O presidente do TRE-PB, no entanto, deixou claro que a ausência de tropas federais não significa redução da atenção sobre regiões consideradas mais sensíveis. Questionado sobre uma possível radiografia das áreas críticas do Estado, Márcio Murilo afirmou que o planejamento estratégico não permite detalhar publicamente todas as informações, mas revelou que as três zonas eleitorais que chegaram a solicitar o reforço e posteriormente desistiram receberão atenção específica. “Em planejamento estratégico não se dá o nome do boi. Mas essas três comarcas, zonas eleitorais que pediram e desistiram depois, já estão com prioridade para uma atuação mais específica, com olhar diferenciado”, declarou. Ele acrescentou que outras regiões onde há atuação de organizações criminosas também estão no radar das forças de segurança.
A preocupação do TRE-PB ocorre em meio ao desafio de impedir qualquer tentativa de interferência de facções no processo eleitoral, especialmente em áreas onde esses grupos possuem atuação conhecida. O desembargador afirmou que o trabalho será feito de forma integrada e com ações direcionadas para preservar a liberdade do eleitor e a normalidade do pleito. Entre as áreas citadas no contexto da preocupação com segurança estão Itabaiana, São Bento, Piancó, Bayeux, Cabedelo e João Pessoa. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro, enquanto eventual segundo turno ocorrerá em 25 de outubro, quando o esquema de segurança deverá novamente ser colocado à prova.



