Jean Nunes, secretário de Estado da Segurança e da Defesa Social - Foto: Larrise Monteiro.

O presidente do Conselho Nacional de Secretários de Segurança (CNSP) e secretário de Estado da Segurança e da Defesa Social (SEDS), Jean Nunes, reagiu nesta terça-feira (16) à declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a devolução de celulares roubados. Durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, da rádio 100.5 FM, o gestor classificou como “infeliz” a fala do presidente, que afirmou que muitas pessoas teriam receio de entregar aparelhos recuperados em delegacias por não saberem “que tipo de delegado ou policial vão encontrar”.

A declaração de Lula foi feita na última semana, durante a 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o chamado “Conselhão”, em Brasília. Na ocasião, o presidente discutiu medidas ligadas ao programa Telefone Seguro e defendeu a busca de alternativas para a devolução de aparelhos recuperados, citando a possibilidade de utilização das agências dos Correios.

Ao comentar o assunto, Jean Nunes destacou os resultados alcançados pela Paraíba por meio da Operação Polícia Civil Recupera, criada para identificar autores de roubos de celulares e receptadores dos aparelhos. Segundo ele, a experiência paraibana demonstra a confiança da população nas instituições de segurança.

“Eu acho que foi uma declaração infeliz. Aqui no Estado, por exemplo, a gente já fez a devolução, por meio do Programa Recupera, da Polícia Civil, de mais de 4.500 telefones em várias regiões da Paraíba. Inclusive, há cerca de 15 dias, entregamos mais de 400 aparelhos celulares aos legítimos proprietários. Então, esse é um tema muito tranquilo para a gente. A população efetivamente confia nas instituições. Operações dessa natureza demonstram a seriedade das instituições, mostram que elas querem acertar e produzem um efeito de muito respeito junto à população. Tenho certeza de que a nossa população confia. Tanto que a Paraíba tem um dos maiores números de devolução de aparelhos celulares do país com a Operação Recupera da Polícia Civil”, afirmou.

Questionado sobre qual conselho daria ao presidente caso ocupasse um cargo no Ministério da Justiça, o secretário voltou a afirmar que a declaração não reflete, em sua avaliação, a percepção que Lula possui das forças policiais. “Foi uma declaração infeliz. Pelo que nós interagimos na oportunidade do lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado, quando tive a oportunidade de falar e ser ouvido pelo presidente, tenho certeza de que essa não é a verdadeira visão que ele tem das instituições policiais, muito menos da Polícia Civil, porque demonstrou exatamente o contrário”, declarou.

Ao ser perguntado se Lula teria sido mal assessorado, Jean evitou responsabilizar integrantes do governo federal e voltou a atribuir o episódio a uma fala isolada. “Eu não sei lhe dizer se foi mal assessorado, não posso dizer isso. Conheço muitos assessores do presidente, como o ministro Wellington César e o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, que são pessoas extremamente comprometidas com os resultados e com a população. Tenho certeza de que talvez tenha sido um momento infeliz do presidente. Não acredito nem em assessoramento nesse sentido, acredito que foi um momento infeliz”, disse.

Jean Nunes também ressaltou sua atuação como presidente do CNSP e afirmou que, nas reuniões mantidas com representantes do Ministério da Justiça e integrantes do Governo Federal, a percepção transmitida sempre foi de valorização das instituições policiais. “Hoje estou como presidente nacional do Conselho Nacional de Secretários de Segurança. A Paraíba nunca teve um presidente desse conselho. Nas oportunidades de interação, inclusive na construção do Brasil Contra o Crime Organizado, tivemos contato com o Ministério da Justiça e com equipes mais próximas do presidente. Não foi essa a visão que nos foi passada naquelas oportunidades”, concluiu.

Assista abaixo a entrevista de Jean Nunes ao programa Ô Paraíba Boa:

Ô Paraíba Boa desta terça-feira entrevista o secretário de segurança Jean Nunes

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