O delegado-geral da Polícia Civil da Paraíba (PCPB), André Rabelo, voltou a comentar nesta sexta-feira (12) os desdobramentos da Operação Perfidus, que investiga o suposto envolvimento de policiais civis com uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas. A declaração foi dada após a solenidade de lançamento da Operação Paraíba Mais Segura, realizada no estacionamento do Estádio Almeidão, em João Pessoa. O tema voltou ao centro do debate após a defesa de um dos investigados alegar a existência de um suposto “assassinato de reputação” contra o delegado Braz Morroni.
Questionado pelo Portal Fonte83 sobre as críticas apresentadas pelos advogados, André Rabelo afirmou que a Polícia Civil já se manifestou oficialmente sobre o caso e destacou que as discussões agora devem ocorrer no âmbito do Ministério Público e do Poder Judiciário. “É… de fato, houve, na semana passada, um caso muito forte, muito triste institucionalmente, mas a instituição mostrou a força da própria Polícia Civil, com o apoio do Ministério Público, do Poder Judiciário. E o que a Polícia Civil tinha que dizer, já foi dito. Agora, naturalmente, as investigações continuam. O Ministério Público e o Poder Judiciário é onde se deve ter essa discussão. Do ponto de vista da Polícia Civil, já foi devidamente encerrado essas falas e nós já manifestamos o nosso posicionamento”, declarou.
O delegado-geral também foi questionado sobre a possibilidade de retorno dos investigados aos quadros da corporação em caso de eventual inocentação. Sem entrar no mérito das acusações, ele afirmou que qualquer decisão dependerá das conclusões da Justiça e da Corregedoria da Polícia Civil. “É, há uma posição muito firme e, eh, muito delimitada no inquérito policial. Há, eh, uma consciência, uma, uma convicção da, da conduta realizada e, naturalmente, vai ao Judiciário e vai à Corregedoria da Polícia Civil. Aí a tomada de decisão parte da Corregedoria e do Poder Judiciário”, afirmou.
A Operação Perfidus foi deflagrada no início de junho e resultou na prisão do delegado Braz Morroni, dos investigadores Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba”, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, além de integrantes de uma facção criminosa. Segundo as investigações, o grupo é suspeito de desviar drogas apreendidas em operações policiais para revendê-las ilegalmente por meio de traficantes. As apurações apontam que o esquema teria movimentado cerca de R$ 10 milhões ao longo de quatro anos.
De acordo com a decisão judicial que autorizou as prisões, Braz Morroni teria participação direta no esquema e seria beneficiário de parte dos lucros obtidos com a comercialização dos entorpecentes desviados. Já Everton Aires é apontado como o principal operador da organização, responsável pela negociação e armazenamento das drogas, enquanto Eduardo Jorge Ferreira do Egito teria atuado na subtração dos entorpecentes e em mecanismos de ocultação patrimonial. Todos tiveram as prisões temporárias mantidas após audiência de custódia.
O caso ganhou repercussão nacional após reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, que apresentou detalhes da investigação, incluindo diálogos, documentos e movimentações financeiras atribuídas aos investigados. A exposição do caso colocou novamente a Paraíba em destaque no noticiário nacional e ampliou a atenção sobre uma das maiores investigações recentes envolvendo agentes da segurança pública no estado.




