A Polícia Civil do Rio Grande do Sul, em cooperação com a Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência do Ministério da Justiça, deflagrou nesta segunda-feira a Operação Aurora, destinada a desmontar uma organização criminosa responsável pelo tráfico interestadual de medicamentos controlados, com foco no misoprostol, usado ilegalmente para provocar abortos. A ação integra o Projeto Impulse, parte do programa nacional de enfrentamento às organizações criminosas.
As investigações começaram após um caso ocorrido em Guaíba, quando uma mulher procurou atendimento médico com fortes dores e acabou expulsando dois fetos. Ela relatou ter comprado o medicamento pela internet e recebido orientação remota de uma suposta profissional, que a deixou sem assistência durante o processo. A jovem afirmou ter chegado ao grupo criminoso após buscas no TikTok e contado ter sido adicionada a um grupo de WhatsApp voltado a mulheres que realizariam o procedimento.
A apuração identificou administradores espalhados por diversos estados, responsáveis tanto pela venda do medicamento quanto pelo acompanhamento ilegal dos abortos. A rede atuava na Paraíba, Goiás, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e no Distrito Federal, com mais de 250 mulheres integrando o grupo virtual. A tabela de preços e as orientações eram repassadas de forma padronizada, seguindo regras internas que determinavam quem poderia vender o Cytotec e orientar as gestantes.
A Delegada Karoline Calegari destacou que a primeira fase da operação busca esclarecer o papel de cada envolvido e descobrir a origem do medicamento, já que sua circulação é restrita a hospitais. A Operação Aurora reforça a integração das forças policiais na repressão ao narcotráfico e na proteção da integridade física das mulheres e da vida em todas as suas etapas.



