Um trecho das obras da Ponte do Futuro, em Cabedelo, foi embargado nesta quinta-feira (24) pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego. A medida determina a paralisação total das atividades no trecho entre Praia do Jacaré, em Cabedelo, e a Ilha Stuart, após fiscalização identificar uma série de problemas relacionados às condições de segurança dos trabalhadores. O embargo ocorre após um acidente no local que deixou um trabalhador morto e outros dois feridos.
Entre as irregularidades apontadas pela fiscalização estão ausência ou inadequação de sistemas de proteção contra quedas, problemas nos sistemas de ancoragem, irregularidades em andaimes e escadas e plataformas flutuantes sem proteção adequada. A auditoria também identificou quantidade insuficiente de coletes salva-vidas e condições consideradas inadequadas de organização e segurança no canteiro de obras.
Segundo o relatório da fiscalização, os trabalhadores estavam expostos a risco de morte, especialmente por realizarem atividades em altura sobre a água sem medidas de prevenção consideradas suficientes. O acidente fatal foi apontado como a materialização desse risco. Em relação ao trabalhador que morreu, a auditoria verificou que ele utilizava um cinto de segurança conectado à estrutura de um andaime, mas concluiu que essa conexão, isoladamente, não constituía um sistema adequado de proteção contra quedas.
O embargo é restrito ao trecho localizado em Cabedelo. Os demais canteiros da Ponte do Futuro, nos municípios de Santa Rita e Lucena, continuam funcionando normalmente.
Trabalhador morreu após queda de estrutura
O acidente ocorreu após uma estrutura metálica utilizada na montagem da obra se desprender. O trabalhador Manoel Oliveira da Silva, de 43 anos, natural de Araioses, no Maranhão, caiu no Rio Paraíba e foi localizado após algumas horas de buscas. O corpo foi liberado pelo Instituto de Medicina Legal (IML) de João Pessoa e encaminhado para o Maranhão.
Outros dois trabalhadores ficaram feridos. Um deles foi levado ao Hospital de Trauma de João Pessoa e recebeu alta posteriormente. O segundo recebeu atendimento ainda no local e não precisou ser hospitalizado.
Após o acidente, o consórcio responsável pela obra informou, em nota, que lamentava profundamente a morte e que prestava apoio aos familiares e colegas da vítima. A empresa também afirmou que a causa do acidente estava sendo investigada e que, apesar da queda da estrutura metálica, a estrutura definitiva da ponte não havia sido danificada.
O secretário de Infraestrutura da Paraíba, Jovânio Silva, informou que uma fôrma metálica utilizada pela empresa na montagem da obra se desprendeu e que um operário que estava preso ao cinto de segurança acabou caindo. Na ocasião, o governador Lucas Ribeiro (PP) afirmou ter determinado a atuação das forças de segurança nas buscas pelo trabalhador desaparecido.
O Departamento de Estradas de Rodagem da Paraíba (DER-PB) e o consórcio responsável pela obra foram procurados para comentar o embargo e as irregularidades apontadas pela fiscalização. Até a última atualização da reportagem, não havia manifestação dos dois órgãos sobre a medida.




