DJ Cris L fala sobre identidade, tempo e a decisão de recomeçar. - Foto: Dayana Lucas / Fonte83

Após uma década vivendo um processo de transição de gênero, a DJ Cris L decidiu tornar pública uma escolha íntima e profundamente pessoal: a de voltar a se identificar como mulher. Em um relato sincero e emocionado, ela compartilha arrependimento, amadurecimento e, sobretudo, a coragem de reconhecer que o caminho trilhado já não representava quem ela sentia ser.

Sem buscar rótulos ou julgamentos, Cris L enfatiza que sua história fala exclusivamente sobre a própria vivência, respeitando todas as outras trajetórias e identidades. “Eu estou falando sobre mim, da minha experiência. Cada pessoa tem a sua vivência, e a minha foi essa”, ressaltou.

Durante dez anos, ela adotou o nome Cristian, mudança que foi oficializada judicialmente, incluindo a alteração de gênero em seus documentos. Recentemente, porém, decidiu refazer todo o processo legal para retornar ao nome e ao gênero registrados em sua certidão de nascimento. “Assim como eu fiz na época da transição, agora eu fui novamente à Justiça e voltei para minha certidão de nascimento”, explicou em entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, da rádio 100.5FM.

Segundo Cris L, a decisão veio a partir de um processo profundo de autoconhecimento. “Teve um momento em que eu me olhei no espelho e não me reconheci mais. Aquilo que eu estava vivendo não estava me fazendo bem. Foi algo que veio de dentro de mim”, contou. A partir disso, ela buscou ajuda profissional e iniciou o processo de destransição.

O retorno à identidade feminina, segundo ela, não foi simples e impactou não apenas sua vida pessoal, mas também familiares e pessoas próximas. “Foi uma decisão que mexeu com todo mundo. Eu abri a câmera do celular e falei com sinceridade: ‘Eu não me reconheço mais como trans e vou voltar a ser quem eu sempre fui’”, relatou. Cris também falou sobre os procedimentos estéticos e terapêuticos que buscou para se reconectar com sua aparência, reconhecendo que sempre teve traços considerados mais masculinos, algo que, segundo ela, faz parte de sua história desde a infância.

No campo profissional e social, a DJ afirmou ter enfrentado dificuldades durante o período de transição, incluindo a perda de trabalhos, shows e amizades. “Eu perdi muitos shows, perdi oportunidades e pessoas. Não sei se é preconceito, mas existiram barreiras”, disse. Ela relata que, após anunciar a destransição, percebeu uma reaproximação de pessoas e uma recepção majoritariamente positiva. “Hoje vejo 90% de apoio. É como se eu tivesse saído de uma bolha”, afirmou.

Cris L reconhece que sua decisão gera reações diversas, especialmente em um mês marcado pela visibilidade trans, mas reforça que seu objetivo não é invalidar outras experiências. “É outra vida, outra experiência que eu estou vivendo agora”, concluiu.

A história de Cris L é, acima de tudo, um relato sobre identidade, tempo, escolhas e a coragem de se escutar. Um convite à compreensão e ao respeito diante da complexidade das trajetórias humanas.

Assista a entrevista com a DJ Cris L no Ô Paraíba Boa:

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