A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais deve provocar um impacto direto na renda dos professores da educação básica da Paraíba a partir de 2026. Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 59,8% dos docentes no estado deixarão de pagar o tributo com as novas regras sancionadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Antes da mudança, pouco menos de 30% dos professores paraibanos estavam isentos. Com a nova tabela, outros 21,6% passam a ter redução nas alíquotas para rendas de até R$ 7.350. Na prática, mais de 80% da categoria no estado terá algum tipo de alívio fiscal.
O estudo aponta ainda uma queda significativa no número de professores submetidos à alíquota máxima de 27,5%. Esse grupo, que hoje representa cerca de 45% do magistério paraibano, deve cair para 18,6%.
Para docentes com remuneração próxima ao piso nacional do magistério, fixado em R$ 4.867,77, o efeito é ainda mais expressivo. Antes tributados pela alíquota máxima, esses profissionais passam à isenção total. O ganho médio anual estimado é de pouco mais de R$ 5 mil, valor equivalente, na prática, a quase um salário adicional ao longo do ano.
Em âmbito nacional, a reforma deve beneficiar cerca de 1 milhão de professores da educação básica, sendo que mais de 620 mil deixarão de pagar Imposto de Renda. O percentual de docentes totalmente isentos no país sobe de 19,7% para 51,6%.
O impacto é mais intenso entre professores da rede privada, onde os salários médios são mais baixos. Após a mudança, mais de 80% desses profissionais estarão isentos, contra pouco mais de 40% na rede pública. Segundo o Ipea, a diferença reflete a desigualdade salarial entre os dois segmentos.
A Paraíba aparece entre os estados mais beneficiados pela nova tabela, ao lado de Alagoas, Minas Gerais, Tocantins e Roraima, todos com mais de 60% do magistério enquadrado na faixa de isenção. O dado evidencia que grande parte dos docentes nesses estados recebe abaixo do novo teto de tributação.
A nova regra começa a valer em 2026 e altera de forma significativa a renda disponível de uma das categorias mais numerosas do serviço público e da iniciativa privada no país, especialmente em estados do Nordeste, onde os salários médios do magistério seguem mais baixos.
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