O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) vem transformando setores inteiros da economia e do cotidiano, mas também levanta um alerta ambiental ainda pouco debatido: o alto consumo de água necessário para manter essa tecnologia em funcionamento.
Ferramentas populares de IA, como assistentes virtuais, geradores de texto e imagens, dependem de uma infraestrutura computacional complexa, concentrada principalmente em grandes data centers. Esses centros operam com milhares de servidores funcionando simultaneamente e, para evitar o superaquecimento dos equipamentos, utilizam sistemas de resfriamento que consomem grandes volumes de água.
Estudos recentes apontam que o ChatGPT, uma das plataformas de IA mais utilizadas no mundo, pode consumir até meio litro de água a cada 20 a 50 comandos de texto. O gasto tende a ser ainda maior em tarefas mais pesadas, como a geração de imagens, que exigem um esforço computacional equivalente a dezenas de solicitações textuais. Quanto maior o processamento, maior a geração de calor, e, consequentemente, maior a necessidade de resfriamento.
O impacto desse consumo se torna ainda mais evidente quando analisado em escala global. Dados divulgados por grandes empresas de tecnologia mostram que a Microsoft ampliou seu uso de água em 34% entre 2021 e 2022, alcançando cerca de 1,7 bilhão de galões. No mesmo período, o Google registrou um aumento de 22%, superando 5,5 bilhões de galões utilizados. Em diversas regiões, esse uso intensivo passa a competir diretamente com o abastecimento de comunidades locais, muitas delas já afetadas pela escassez hídrica.
Pesquisadores estimam que, até 2027, o setor de inteligência artificial poderá demandar entre 4,2 e 6,6 bilhões de metros cúbicos de água por ano, volume comparável ao consumo total anual de países como a Dinamarca ou aproximadamente metade do Reino Unido. O cenário acende um sinal de alerta em um planeta onde a disponibilidade de água doce já é limitada e desigual.
À medida que a IA se consolida como um dos pilares da transformação digital, cresce também a pressão sobre os recursos naturais. Especialistas apontam que o desafio passa pela adoção de tecnologias de resfriamento mais eficientes, uso de fontes alternativas de água, maior regulação do setor e, principalmente, mais transparência por parte das empresas. Atualmente, poucas companhias divulgam dados detalhados sobre o impacto hídrico de seus sistemas de inteligência artificial, o que dificulta a avaliação precisa dos custos ambientais dessa revolução tecnológica.
Clique aqui para seguir o canal “FONTE83” no WhatsApp e fique bem informado




