Falta de memória RAM no mercado ameaça elevar preços de eletrônicos. - Foto: TechTudo

Quem pretende comprar celulares, notebooks ou outros dispositivos eletrônicos nos próximos meses deve se preparar para possíveis aumentos de preços. Especialistas alertam que uma crise global na produção de memória RAM pode impactar diretamente o valor desses produtos a partir de 2026, com reflexos ainda mais fortes no mercado brasileiro.

A memória RAM (Random Access Memory) é um componente essencial para o funcionamento de aparelhos eletrônicos, responsável por armazenar temporariamente os dados que estão sendo utilizados no momento. Quanto maior a quantidade de RAM, melhor o desempenho do dispositivo, permitindo que mais aplicativos e funções sejam executados simultaneamente.

O principal fator por trás da escassez é o avanço acelerado da inteligência artificial. Fabricantes de semicondutores têm redirecionado investimentos e capacidade produtiva para chips mais sofisticados, voltados ao uso em data centers de IA, que oferecem maior rentabilidade. Com isso, a produção de memórias tradicionais, amplamente usadas em eletrônicos de consumo, foi reduzida.

Empresas do setor passaram a priorizar memórias mais avançadas, o que provocou a diminuição da oferta de modelos mais antigos, especialmente a DDR4, quarta geração da memória RAM, ainda presente em grande parte dos dispositivos vendidos atualmente.

A redução da produção desse tipo de memória pode gerar dois impactos principais no mercado: a comercialização de aparelhos com menos RAM do que o ideal e o encarecimento dos produtos finais. Isso afeta não apenas celulares e computadores, mas também uma série de itens do cotidiano, como smart TVs, tablets, consoles de videogame, relógios inteligentes, aspiradores robô, impressoras e até carros, que utilizam memória RAM em seus sistemas eletrônicos.

Atualmente, três empresas dominam a produção global de memória RAM: Samsung e SK Hynix, da Coreia do Sul, e Micron, dos Estados Unidos, segundo dados das agências Reuters e Bloomberg.

Relatórios recentes reforçam o cenário de preocupação. A International Data Corporation (IDC) informou que o mercado global de smartphones pode encolher 0,9% em 2026, em parte devido à escassez de memória. Já a Counterpoint Research apontou que os preços da memória RAM aumentaram cerca de 30% no último trimestre de 2025 e podem subir mais 20% no início de 2026.

No Brasil, os impactos tendem a ser ainda mais intensos. Além da alta internacional dos componentes, fatores como a variação cambial, a carga tributária elevada e os custos logísticos contribuem para tornar os reajustes mais agressivos ao consumidor final.

Com esse cenário, especialistas recomendam atenção redobrada para quem planeja adquirir eletrônicos nos próximos meses, já que a combinação entre escassez de componentes e avanço da inteligência artificial pode pesar significativamente no bolso do brasileiro.

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