O presidente da Fundação de Desenvolvimento da Criança e do Adolescente Alice de Almeida (Fundac), Flávio Moreira, detalhou os investimentos e as mudanças na política socioeducativa da Paraíba. Durante o programa Senso Crítico, da FGTV e MRTV, ele informou que a gestão já destinou mais de R$ 60 milhões à infraestrutura e prepara a construção de duas novas unidades, em Patos e Campina Grande. O trabalho também envolve qualificação profissional e acompanhamento dos adolescentes após a internação.
Ao comentar os resultados do sistema, Flávio destacou o período superior a quatro anos sem mortes provocadas por rebeliões nas unidades socioeducativas do estado. Segundo ele, a vigilância e o comprometimento das equipes são fundamentais para manter esse cenário. “Mesmo em dias sem expediente no Estado, precisamos permanecer atentos, porque a socioeducação exige vigilância permanente”, afirmou. O presidente também reconheceu o apoio recebido do então governador João Azevêdo, atual senador eleito, desde que assumiu a Fundac, em 8 de junho de 2022.
Na área de infraestrutura, o gestor citou a reforma em andamento no Centro Educacional do Jovem e os projetos para ampliar a capacidade de atendimento. Ele também ressaltou a importância dos cursos profissionalizantes para preparar os adolescentes para o retorno à sociedade. “Essa é a grande missão da socioeducação: contribuir para a promoção da paz social”, declarou. O acompanhamento não termina com a saída da unidade, já que a Fundac mantém ações de suporte após o cumprimento da medida.
Flávio também explicou como a qualificação profissional pode envolver as famílias. A padaria-escola recebeu investimentos em equipamentos e passou a ampliar a oferta de cursos aos familiares dos adolescentes. Para ele, a geração de renda pode contribuir para fortalecer os vínculos familiares e facilitar a reinserção social. Nas áreas de barbearia e cabeleireiro, os jovens que concluem a internação recebem kits básicos para começar a trabalhar em casa ou prestar serviços a domicílio.
“Com esses equipamentos, podem começar a trabalhar em casa ou prestar serviços a domicílio”, explicou o presidente, ao destacar a possibilidade de geração de renda logo após a saída do sistema. A iniciativa busca oferecer alternativas profissionais aos adolescentes e ampliar as oportunidades de reconstrução de suas trajetórias. Segundo Flávio, a preparação inclui formação, atividades durante a medida e acompanhamento posterior, embora a decisão de seguir esse caminho também dependa de cada jovem.
Na presidência do Fórum Nacional de Gestores do Sistema Socioeducativo (Fonacriad), Flávio informou que o colegiado promove encontros técnicos para discutir desafios, projetos legislativos e experiências dos estados. A próxima reunião está prevista para São Paulo, entre 10 e 13 de novembro. Ele acrescentou que a gestão trabalha para formalizar o fórum com CNPJ e ampliar o apoio técnico e consultivo aos gestores estaduais, inclusive diante de questionamentos dos órgãos de fiscalização. As discussões também abrangem pautas relacionadas ao Conanda, ao Conselho Nacional do Ministério Público e ao Conselho Nacional de Justiça.




