O comandante-geral da Polícia Militar da Paraíba (PMPB), Coronel José Ronildo Souza da Silva, afirmou nesta sexta-feira (12) que a corporação já adotou todas as medidas administrativas cabíveis para apurar a conduta do policial militar flagrado agredindo um jovem durante o São João de Campina Grande. A declaração foi dada ao Portal Fonte83 após a solenidade de lançamento da Operação Paraíba Mais Segura, realizada no estacionamento do Estádio Almeidão, em João Pessoa.
Ao comentar o episódio, o comandante ressaltou que a atitude registrada nas imagens não condiz com os princípios da instituição. Segundo ele, o policial envolvido foi afastado das atividades operacionais e passou a ser alvo de uma sindicância administrativa disciplinar, enquanto a Polícia Civil conduz investigação para apurar eventual responsabilidade criminal.
“Primeiro dizer que essa atitude não representa a Polícia Militar. Isso é uma atitude isolada de um policial nosso que aconteceu, foi registrado. Nós já fizemos o afastamento administrativo do serviço operacional, ele não tá trabalhando mais no serviço operacional. Já instaurei uma sindicância administrativa disciplinar para apurar o comportamento do policial, e a Polícia Civil instaurou um inquérito policial para apurar a responsabilidade criminal”, declarou.
O comandante acrescentou que as providências iniciais já foram executadas e que o militar envolvido prestou depoimento. “Todas as medidas que estavam cabíveis para esse momento já foram adotadas, já estão sendo executadas, o policial já foi ouvido. A partir de agora o oficial encarregado vai fazer a apuração ouvindo outras pessoas, ouvindo a vítima e, ao final, será dada uma solução para esse caso. O policial poderá receber uma punição disciplinar e responder criminalmente pela Justiça paraibana”, afirmou.
Questionado sobre o prazo para conclusão da investigação interna, Ronildo informou que a Polícia Militar trabalha com um período de até 30 dias. “30 dias para a Polícia Militar, e o inquérito policial vai depender do andamento e da produção de provas”, explicou.
O caso envolve o jovem Johnny Palmeira, de 18 anos, que aparece em vídeos divulgados nas redes sociais sendo agredido por um policial militar durante os festejos juninos no Parque do Povo. O episódio ocorreu entre a noite da sexta-feira (5) e a madrugada do sábado (6). Segundo o jovem, havia uma confusão no local, mas ele tentou se afastar e a situação já estava controlada quando foi abordado pelo agente.
As imagens mostram o momento em que o policial se aproxima de Johnny e desfere socos em seu rosto. O jovem cai ao chão e, em seguida, é auxiliado por pessoas que estavam próximas. Conforme relato da vítima, ele não reagiu à agressão. Johnny sofreu ferimentos na boca, precisou levar oito pontos e teve um dente quebrado. Após os primeiros socorros prestados pela equipe de plantão no evento, ele foi encaminhado ao Hospital Dom Luiz Gonzaga Fernandes.
A família do jovem informou que pretende acionar a Justiça contra o policial, integrante do Batalhão de Choque. A defesa da vítima sustenta que o vídeo é uma prova central do caso e avalia possíveis desdobramentos nas esferas administrativa, criminal e cível. Em nota, a Polícia Militar confirmou a abertura de procedimento para apurar as circunstâncias da ocorrência e o afastamento do agente durante as investigações. Já a defesa do policial afirmou que acompanha o caso, destacou que o militar possui 11 anos de serviço na corporação sem registros de punições disciplinares e informou que não irá antecipar conclusões antes do encerramento das apurações.
PM afasta policial flagrado agredindo homem com socos no Parque do Povo, em Campina Grande




