Com a iminente paralisação do Restaurante Universitário (RU) a partir do próximo dia 17, estudantes da Residência Universitária do Campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) intensificaram os protestos diante do risco de ficarem sem garantia de alimentação durante o recesso. A mobilização, organizada pelos próprios moradores, denuncia cortes no auxílio, insegurança alimentar e condições precárias de infraestrutura, enquanto a universidade se prepara para fechar o RU por mais de 40 dias para reformas.
O portal Fonte83 entrevistou dois estudantes que estão à frente da mobilização: Martim, do curso de Ciências Sociais, e Paloma, de Biblioteconomia, moradores da residência universitária.
Segundo Martim, o protesto é consequência direta da decisão da UFPB de descontar a pecúnia substitutiva do RU durante o recesso: “Realocamos objetos abandonados da residência e formamos a barricada. Fechamos duas vias. Estamos protestando contra a penalização do RU e pelo aumento do auxílio. Recebemos apenas R$ 400 por mês, mas temos várias outras demandas: higiene, limpeza, material pedagógico, medicamentos…”.
O estudante afirma que o grupo já participou de duas reuniões na Reitoria, mas sem resultados concretos: “Recebemos propostas, mas nada mudou. Foi um festival de promessas”.
Paloma explica que a proposta apresentada pela vice-reitora não garante a segurança alimentar dos moradores durante o recesso: “O valor que querem pagar não cobre três refeições por dia. Muitos vão ficar sem comer. Não existe marmita de R$ 6 ou R$ 9”.
Ela também denuncia as dificuldades de acessar o restaurante nos dias em que está aberto: “Minha colega passa quase duas horas para conseguir almoçar. A fila é enorme, e às vezes a comida já acabou. Quem tem aula ou extensão não tem como ficar esperando”.
Os entrevistados também relatam problemas de manutenção e infraestrutura: “Tem quarto com vazamento, chuveiro quebrado, vaso danificado. A gente espera meses por manutenção. Nos fins de semana falta água, luz e internet, e ninguém resolve. No recesso é pior. Na cozinha temos apenas dois fogões e dois micro-ondas para quase 300 estudantes. É impossível”.
Os estudantes da Residência Universitária realizaram, na noite da última segunda-feira (8), um protesto pacífico contra o corte no auxílio alimentação durante o período em que o Restaurante Universitário (RU) ficará fechado para reformas. A manifestação ocorreu na entrada próxima ao Hospital Universitário Lauro Wanderley, em João Pessoa, onde os residentes montaram uma barricada com eletrodomésticos e materiais abandonados há meses no espaço interno da moradia, como geladeiras, máquinas de lavar e armários enferrujados.
Segundo os estudantes, além de simbolizar a precariedade das condições de vida na residência, o material acumulado evidencia a negligência da gestão universitária. Nas faixas fixadas na barricada, a frase “A RUMF tem fome” virou palavra de ordem, em referência à insegurança alimentar que relatam viver.

Foto: Liz Oliveira / @mulherdojazz
De acordo com a Pró-Reitoria de Assistência e Promoção ao Estudante (PRAPE), o Restaurante Universitário estará fechado entre 17 de dezembro de 2025 e 30 de janeiro de 2026 para reforma no teto da cozinha.
Em nota publicada nesta quarta-feira (10), a UFPB confirmou a suspensão temporária dos RUs para reformas estruturais e afirmou que o período foi escolhido por coincidir com o recesso acadêmico.
A Reitoria informou que:
Pagará ao menos R$ 540 a cada residente contemplado, com possibilidade de complementação conforme a frequência registrada no sistema;
O cálculo seguirá a mesma metodologia adotada desde 2024;
A gestão tem mantido diálogo com os estudantes e realizou audiências públicas, reuniões com segmentos estudantis e encontros específicos com residentes.
No final da tarde desta quinta-feira (11), a pró-reitora da PRAPE, Georgia Dantas Macedo, autorizou a liberação da folha complementar destinada aos estudantes para o pagamento do auxílio RU em pecúnia referente ao mês de dezembro. O valor total autorizado é de R$ 125.889,56, conforme o despacho nº 1108/2025 – PRAPE-COAPE.
A instituição reafirma que mantém “compromisso com o diálogo constante” e que seguirá buscando soluções “responsáveis e sustentáveis” para garantir a permanência estudantil. Enquanto isso, os moradores da Residência Universitária sinalizam que as mobilizações devem continuar até que haja uma solução concreta para a alimentação e para as condições estruturais do espaço.
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