Secretário municipal de Saúde de João Pessoa, Luiz Ferreira, durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa.

O secretário de Saúde de João Pessoa, Luiz Ferreira, revelou números que escancaram o tamanho da pressão enfrentada pela rede municipal. Em entrevista ao programa Ô Paraíba Boa na Rádio 100.5 FM, ele afirmou que a Capital atende muito além da própria população e se tornou ponto de referência não só para a Paraíba, mas também para estados vizinhos.

Segundo o secretário, João Pessoa tem cerca de 830 mil habitantes, mas contabiliza aproximadamente 1,4 milhão de cartões do Sistema Único de Saúde cadastrados, mais de 600 mil a mais do que o número oficial de moradores.

“João Pessoa atendeu, em 2025, 258 cidades. No estado temos 223 municípios. Ou seja, atendemos cidades além da própria Paraíba”, destacou.

Rede ampliada e contratos milionários

Para dar conta da demanda, o município mantém uma das maiores estruturas proporcionais do estado. São seis hospitais, quatro UPAs, cinco policlínicas, CAPS e uma ampla rede complementar.

Luiz Ferreira detalhou que a Prefeitura contratualiza serviços com praticamente todos os grandes hospitais privados da Capital. Entre eles estão o Hospital da Unimed, o Hospital Nossa Senhora das Neves e o Hospital Napoleão Laureano, que, segundo ele, recebe mais de R$ 60 milhões por ano da gestão municipal.

Além disso, há contratos com unidades como o HU, Hospital Nova Esperança, São Vicente e São Luís, ampliando a capacidade de atendimento além da rede própria.

“Nós não fechamos a porta para nenhum cidadão, seja de que cidade for. É uma determinação do chefe do Executivo”, afirmou, referindo-se ao prefeito Cícero Lucena.

Pactuação estourada e pressão crescente

O secretário explicou que existe pactuação entre os municípios, que define limites de atendimento e repasses financeiros. No entanto, segundo ele, muitas cidades esgotam ainda nos primeiros meses do ano a cota prevista para utilizar os serviços da Capital.

“Você chega em abril e a maioria das cidades já usou tudo que foi pactuado. Mas a demanda continua, e ninguém volta sem atendimento.”

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