Na política, até a sanfona muda de tom. E quem resolveu trocar o repertório foi Cicinho Lima, filho do saudoso Pinto do Acordeon.
Para quem não lembra, Pinto cantou em apoio a Jair Bolsonaro uma música composta em família, inclusive com a participação de Cicinho. A letra dizia que a bandeira do Brasil “jamais será vermelha”.
Pois bem. O tempo passou, a política girou e o filho agora não apenas declara voto em Lula, como também resolveu compor uma música para o petista. Pelo visto, a bandeira continua verde e amarela, mas o repertório ganhou novos acordes.
Confesso que custei a acreditar. Fui apurar e ouvi do próprio Cicinho: agora ele vota no 13, faz o “L” e não quer saber de ficar em cima do muro.
A justificativa veio afinada. Cicinho afirma que, ao assumir a Secretaria Executiva de Cultura, conheceu as políticas do governo Lula e passou a reconhecer uma atenção maior aos artistas. Também citou a estabilidade do país e sua caminhada política ao lado de Adriano Galdino e Lucas Ribeiro. Mas fez questão de garantir que ninguém influenciou sua decisão.
Ou seja, a mudança foi pessoal, embora o novo repertório esteja bem alinhado com seus companheiros políticos.
Perguntei se Pinto do Acordeon, caso estivesse vivo, aprovaria essa escolha. Cicinho respondeu que ninguém sabe se o pai também teria mudado de opinião.
E nisso ele tem razão. Não podemos falar por quem já partiu, muito menos transformar a memória de um pai em obrigação eleitoral para o filho.
Mudar de opinião é um direito. Assim como estranhar tamanha mudança também é. Cicinho merece respeito por sua escolha, da mesma forma que merecem os eleitores que continuam apoiando o projeto político de Jair Bolsonaro, agora representado pela candidatura de seu filho, Flávio Bolsonaro.
O fato é simples: Pinto cantou para Bolsonaro. Cicinho agora canta para Lula.
A sanfona é da mesma família. O tom mudou, o lado também. E, na política, pelo visto, até a convicção precisa acompanhar a melodia.




