O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participa de ato em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro na Avenida Paulista, em São Paulo, em 29 de junho de 2025 - Foto: Ganriel Silva/E.Fotografia/Estadão Conteúdo

A derrota de Flávio Bolsonaro nas urnas e sua saída do país, em meio a uma investigação no Supremo Tribunal Federal, criaram um novo cenário político. O bolsonarismo continua forte, tem milhões de eleitores e uma bancada expressiva no Congresso. Mas surge uma pergunta inevitável: quem vai liderar a direita brasileira daqui para frente?

É preciso separar as coisas. Ser de direita não significa, necessariamente, ser bolsonarista. A direita brasileira existia antes de Jair Bolsonaro e continuará existindo depois dele. O problema começa quando um campo político inteiro passa a depender de uma família e de um sobrenome.

Nesse cenário, Tarcísio de Freitas aparece como uma das principais alternativas. Reeleito governador de São Paulo, reúne experiência administrativa, força política e um perfil mais moderado na forma de dialogar. É conservador, tem ligação com Bolsonaro, mas demonstra capacidade de conversar com setores que vão além do bolsonarismo.

Há outros nomes nesse tabuleiro. Michelle Bolsonaro mantém influência sobre o eleitorado conservador. Sergio Moro, agora governador do Paraná, também pode disputar protagonismo. Governadores e lideranças do Congresso terão papel importante nessa reorganização.

Mas Tarcísio reúne uma condição particular: pode preservar o apoio de parte do eleitorado bolsonarista sem necessariamente reproduzir o estilo de confronto permanente que marcou o movimento.

A direita não precisa abandonar suas bandeiras, seus valores ou seus eleitores. Precisa compreender que fazer oposição ao PT é diferente de construir um projeto de país. E que fidelidade política não pode estar acima da capacidade de pensar, discordar e apresentar soluções.

A saída de Flávio do Brasil pode representar mais do que uma crise para a família Bolsonaro. Pode ser o início de uma reorganização da oposição.

O bolsonarismo é uma força dentro da direita. Mas a direita não pode ser reduzida ao bolsonarismo.

E talvez Tarcísio de Freitas seja hoje o nome mais bem posicionado para demonstrar essa diferença.