O silêncio de Ricardo Barbosa após desistir, mais uma vez, da disputa pela Prefeitura de Cabedelo não é exatamente um mistério. É método. Quando falta apoio, sobra cautela. E, na política, cautela quase sempre vira silêncio estratégico.
Não foi o currículo que pesou contra Barbosa. Experiência ele tem de sobra. O problema foi outro. Nos bastidores, o que se dizia era simples e cruel: havia medo de derrota. Medo até de uma prévia informal, daquelas que ninguém assume, mas todo mundo mede. Para evitar constrangimento, o caminho escolhido foi o mais comum: retirar o nome antes que o jogo começasse de verdade.
Publicamente, Barbosa justificou a saída dizendo que precisava focar na pré-candidatura a deputado federal. É uma explicação legítima, mas que não apaga o contexto. O governo nunca entrou de corpo e alma na candidatura. Faltou empolgação, faltou articulação e, principalmente, disposição para bancar o risco.
Barbosa acabou pagando o preço de não ter grupo. Tinha cargo, tinha história, mas não tinha torcida.
No fim, o silêncio fala alto. Fala sobre uma política que prefere o cálculo ao enfrentamento. Fala sobre projetos que morrem antes de ganhar as ruas. E fala, sobretudo, de um nome que não perdeu a eleição, foi afastado do campo antes mesmo do apito inicial.
O que resta saber agora é outra coisa: depois desse período de silêncio, Ricardo Barbosa vai permanecer no PSB ou vai voar para novos ares? Isso, sim, pode dizer muito sobre onde ele pretende jogar suas fichas a partir de agora.



