O vereador Marcos Henriques (PT) defendeu mudanças nos critérios de indicação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que as suspeitas de tráfico de influência envolvendo integrantes da Corte precisam ser esclarecidas de forma transparente e sem corporativismo. Em entrevista ao Fonte83, o parlamentar também criticou o modelo atual, em que os ministros são indicados pelo presidente da República e posteriormente submetidos à sabatina e votação no Senado.
Ao comentar as apurações envolvendo ministros como Alexandre de Moraes e a atuação de André Mendonça no Supremo, Marcos Henriques afirmou que é necessário diferenciar as investigações relacionadas à tentativa de golpe de Estado das denúncias recentes de possível tráfico de influência. Na avaliação do vereador, as discussões atuais também evidenciam a necessidade de rever os critérios utilizados para a composição do tribunal. “A gente não pode confundir a operação que houve de tentativa de golpe com o que está acontecendo atualmente, que é denúncia de tráfico de influência”, afirmou.
Marcos defendeu que os integrantes do STF tenham critérios de seleção mais rigorosos e sugeriu que a escolha não fique concentrada na indicação presidencial. “O presidente de plantão indicar o ministro do Supremo está errado, sem ter o menor critério”, declarou. O vereador também defendeu que os magistrados tenham uma trajetória baseada em critérios objetivos e afirmou que o atual modelo de indicação, seguido de sabatina no Congresso, não seria suficiente para garantir uma composição independente da Corte.
Ao tratar especificamente de André Mendonça, Marcos Henriques afirmou que, em sua avaliação, o ministro teria adotado uma postura seletiva no julgamento de questões relacionadas ao senador Flávio Bolsonaro (PL), a quem fez críticas durante a entrevista. O vereador também cobrou explicações de Alexandre de Moraes sobre as suspeitas que envolvem o ministro e afirmou que eventuais denúncias precisam ser investigadas sem proteção corporativa. “O ministro André Mendonça tem isso, o ministro Alexandre de Moraes precisa explicar também”, disse.
Por fim, Marcos Henriques afirmou que as discussões envolvendo o STF podem servir para estimular um debate mais amplo sobre mudanças na escolha dos ministros. Segundo ele, eventuais investigações devem avançar até o esclarecimento dos fatos, sem distinção entre integrantes da Corte. “A gente tem que ir no fundo do problema para tentar resolver”, afirmou o vereador, defendendo que o debate ocorra dentro de um contexto de maior transparência e sem corporativismo.
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