Durante o programa Senso Crítico da FGTV, nesta quarta-feira (9), apresentado pelo jornalista Klauber Beserra, foi debatida a repercussão da declaração do vereador Roberto Cândido, de Junco do Seridó, que defendeu a cobrança de votos de servidores contratados em favor de candidatos apoiados pela gestão municipal. Participaram do debate o jornalista Edney Oliveira e o comunicador Rudney Araújo. A discussão ocorreu após o Ministério Público Eleitoral (MPE) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) divulgarem recomendações para combater o assédio eleitoral na Paraíba durante as Eleições 2026.
Klauber Beserra classificou a declaração do vereador como uma prática que precisa ser combatida, mesmo diante da existência de pressão política sobre servidores. “Betinho, você foi infeliz no seu comentário. É uma realidade que a gente conhece, sabe que existe essa pressão para que servidores façam isso, mas o óbvio tem que ser dito. Isso que Betinho fez lá na Câmara Municipal de Junco do Seridó é crime e precisa ser combatido”, afirmou. Para o jornalista, tratar a prática como algo natural pode transmitir aos eleitores a ideia de que a pressão sobre trabalhadores seria aceitável durante o processo eleitoral.
“Não é porque é recorrente e uma realidade que não tenha que ser rechaçado. Se a gente naturalizar algo como essa fala de Betinho, vai estar transmitindo a mensagem para quem está em casa de que pode ser feito isso, que deve ser feito isso”, acrescentou Klauber. Ele também defendeu que o vereador se retrate publicamente. “Você usar da obrigação de que o prestador de serviço é obrigado a votar, desculpa, Betinho, mas você foi muito infeliz. O mínimo que você pode fazer é um pedido de desculpa para a população, não só de Junco, mas de toda a Paraíba. Voltamos ao tempo dos coronéis?”, questionou.
Rudney Araújo ampliou o debate para o modelo de contratação e funcionamento da administração pública. Segundo ele, a discussão também envolve a permanência de servidores contratados e comissionados após mudanças de governo. “Quando a Justiça, quando a lei brasileira dá o direito ao gestor de praticar tal fato, nós temos que encarar como um fato normal”, afirmou. Em um cenário hipotético envolvendo a disputa pelo Governo da Paraíba, citou Lucas Ribeiro, Cícero Lucena e Efraim Filho para questionar se um eventual novo governador manteria os cargos de confiança da administração anterior. “Eles vão deixar os adversários trabalhando com eles? Não vão. Ou eles vão lançar aquela velha portaria em 1º de janeiro, exonerando todos os cargos contratados e comissionados para recontratar aqueles que, porventura, sejam da sua inteira confiança?”, provocou.
O debate ocorre em meio ao alerta feito nesta quarta-feira (9) pelo procurador regional eleitoral Marcos Queiroga durante a sessão do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) sobre casos de assédio eleitoral nos setores público e privado. Na terça-feira (8), MPE e MPT divulgaram recomendações destinadas a candidatos, partidos, federações e gestores públicos para prevenir a prática durante as eleições. A discussão ganhou força após a fala de Roberto Cândido na Câmara Municipal de Junco do Seridó, na sessão realizada no último dia 3, quando o vereador defendeu que servidores contratados fossem chamados individualmente para conhecer e apoiar os candidatos indicados pela gestão.




