O Ministério Público da Paraíba (MPPB) acionou a Justiça para pedir o banimento, por até cinco anos, da Torcida Jovem do Botafogo (TJB) e da Torcida Fúria Independente do Botafogo (TFIB) dos eventos esportivos em todo o país. A ação civil pública foi protocolada pelo Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor (Nudetor) e pelo MP-Procon, diante da reincidência de episódios de violência atribuídos a integrantes das organizadas.

A ação nº 0863900-33.2026.8.15.2001 foi distribuída à 9ª Vara Cível de João Pessoa e é assinada pelos promotores José Leonardo Pinto, coordenador do Nudetor, e Bergson Formiga, diretor-geral do MP-Procon. Em caráter liminar, o Ministério Público também quer a proibição imediata da presença das duas torcidas e de integrantes envolvidos em ilícitos nos estádios, além do uso de símbolos, uniformes, bandeiras e faixas que as identifiquem.

O MPPB aponta pelo menos 17 episódios documentados entre 2023 e 2026, envolvendo confrontos, emboscadas, agressões, depredações, ataques contra agentes de segurança, além da apreensão de armas e artefatos explosivos. Segundo a ação, alguns dos casos ocorreram inclusive em partidas que não envolviam o Botafogo-PB. O Ministério Público sustenta que medidas anteriores não foram suficientes para impedir a repetição dos atos.

“O banimento dessas duas torcidas notoriamente envolvidas em episódios de violência atende o clamor da sociedade que deseja acompanhar os jogos num ambiente de maior segurança, impossível com a presença ostensiva dessas duas torcidas”, afirmou José Leonardo Pinto. O promotor destacou ainda que as demais torcidas do Botafogo-PB não possuem registros semelhantes e continuarão recebendo orientação e suporte dos órgãos de segurança.

Antes de recorrer à Justiça, o MPPB adotou medidas administrativas. Em agosto de 2023, foram firmados Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) com as organizadas, incluindo a obrigação de manter os integrantes cadastrados e atualizados no Sistema de Apoio ao Cidadão (SAC) e a proibição de promover ou incentivar atos violentos. Após ocorrências registradas nos jogos contra Volta Redonda e Confiança, novas suspensões foram aplicadas, mas, segundo o Ministério Público, a reincidência levou ao pedido de banimento e à cobrança de R$ 2 milhões por danos morais coletivos, sendo R$ 1 milhão de cada torcida, com recursos destinados ao Fundo Estadual de Proteção ao Consumidor.

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