Vice-prefeito Carlos Monteiro assumiu interinamente a Prefeitura de Caaporã - Foto: Youtube/Câmara Municipal de Caaporã.

Após o afastamento judicial do prefeito Chico Nazário (União Brasil), o vice-prefeito Carlos Monteiro (PSDB) assumiu interinamente a Prefeitura de Caaporã na tarde desta quinta-feira (20). A posse ocorreu na Câmara Municipal, poucas horas depois da deflagração da Operação Purgatório, que investiga suspeitas de fraudes em contratos públicos. A solenidade foi conduzida pelo presidente da Casa, Oto Mariano, que declarou oficialmente o novo prefeito empossado. Após prestar o juramento na tribuna, Monteiro assinou a documentação e fez um breve discurso.

Ao assumir o cargo, Carlos Monteiro pediu tranquilidade à população e afirmou que pretende manter o funcionamento da administração municipal. “Quero dizer a vocês de Caaporã que mantenham a calma, que eu estou aqui e que o trabalho continua. Somos uma equipe, sozinhos não chegamos a lugar nenhum. Vamos trabalhar ainda mais por Caaporã”, declarou o prefeito interino.

Ovacionado por moradores que acompanharam a cerimônia, Monteiro também citou a continuidade dos serviços públicos e pediu o apoio dos servidores e vereadores. “Amanhã continuam os trabalhos em Cupissura, a ciranda de serviços. Vamos levar serviço para o povo. Vamos olhar para o povo de Caaporã como eles merecem”, afirmou. Em seguida, fez um apelo aos vereadores: “Quero, humildemente, o apoio de todos, sem distinção de A ou de B, da Câmara de Caaporã”.

A mudança no comando da Prefeitura ocorreu após decisão do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), no âmbito da Operação Purgatório, deflagrada nesta quinta-feira pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A investigação apura uma possível organização criminosa no Executivo municipal, com suspeitas de fraudes em licitações e contratos relacionados à coleta de resíduos sólidos e limpeza urbana. Segundo o Ministério Público da Paraíba (MPPB), o prejuízo aos cofres públicos é estimado em mais de R$ 2 milhões.

Além do afastamento de Chico Nazário, a decisão judicial determinou o sequestro de bens e valores até o limite do dano estimado. Ao todo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados a 12 investigados na Paraíba e em Pernambuco. As apurações também envolvem suspeitas de falsidade ideológica, uso de documento falso e lavagem de capitais. O caso teve origem, segundo as investigações, após a divulgação de um vídeo de 2024 em que Chico Nazário aparece recebendo uma bolsa com dinheiro em espécie, episódio que passou a ser investigado pelas autoridades.

Prefeito Chico Nazário é afastado após operação que investiga desvio de R$ 2 milhões na Prefeitura de Caaporã

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