A disputa pela vaga de vice na chapa de Lucas Ribeiro (PP) entrou em sua reta decisiva. Nas próximas horas, o governador pode tomar a decisão mais importante de toda a montagem da chapa majoritária. E, curiosamente, talvez ela não seja sobre quem será o ungido, mas sobre sobrevivência política e quem pode ficar de fora: o Republicanos.
Até aqui, a discussão girou em torno de nomes como Adriano Galdino, Wilson Filho e Luciano Cartaxo. Mas a política já passou dessa fase. O debate agora não é mais sobre pessoas. É sobre partidos. É sobre força.
A pergunta é simples: qual o custo político que Lucas pode pagar ao deixar o Republicanos fora da vice?
O Progressistas já ocupa a cabeça da chapa. Mas, se o segundo maior aliado da aliança não estiver representado na vice o discurso de unidade pode nascer arranhado.
O Republicanos não é apenas mais um partido da base. É uma das maiores estruturas políticas da Paraíba, com forte presença regional, bancada robusta na Assembleia Legislativa, influência nacional com Hugo Motta e uma ampla rede de prefeitos e lideranças municipais.
E uma eleição majoritária não se desenha apenas para o primeiro turno. Ela precisa estar preparada para todos os cenários, sobretudo o segundo.
Sem o Republicanos na vice, Cícero Lucena e Efraim Filho terão um discurso pronto ainda no primeiro turno: por que o maior aliado do governo foi deixado de fora da chapa? A partir daí, podem alimentar a narrativa de que o Republicanos não terá a mesma disposição para defender o projeto.
Lembrando também que, a preço de hoje, a eleição do Republicanos está estruturada para o primeiro turno.
Isso não significa que o partido abandonaria a aliança. Política não funciona dessa forma. Mas basta que essa dúvida exista para virar combustível eleitoral para alimentar as militâncias, desgastar o ambiente e obrigar o Republicanos a responder perguntas que hoje sequer precisaria enfrentar.
Na política, muitas vezes, o problema não é a ruptura. É a suspeita de que ela possa acontecer.



