O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou nesta quarta-feira (8) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “lambe as botas da China” e voltou a defender os Estados Unidos em meio ao risco de uma nova rodada de tarifas contra produtos brasileiros. A declaração foi feita durante transmissão nas redes sociais, após participação em uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

Flávio afirmou que viajou aos Estados Unidos para tentar evitar a aplicação das tarifas e responsabilizou o governo Lula pelo agravamento das relações diplomáticas entre os dois países. “Vim proteger o Brasil das tarifas e também do Lula. Todo mundo está vendo o vexame que está sendo o Lula na parte internacional. Alguém que faz questão de dizer que é antiamericano. Ele coloca a ideologia acima dos interesses do povo. Ele lambe as botas da China e taca pedra nos Estados Unidos”, declarou.

O senador também afirmou ter recebido informações de bastidores de que a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros deverá ser confirmada pelo governo norte-americano. “Já é uma coisa que está todo mundo falando. Então cabia a mim fazer uma defesa técnica, mas também política”, disse.

Na terça-feira (7), Flávio participou de uma audiência pública do USTR acompanhado do irmão, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que atualmente reside nos Estados Unidos. Durante a audiência, o parlamentar defendeu o adiamento da aplicação das tarifas e dedicou parte de sua fala a críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao governo Lula.

Segundo Flávio, este seria “o pior momento possível” para a adoção das medidas tarifárias por parte do governo do presidente Donald Trump. O prazo para que os Estados Unidos decidam sobre a aplicação das novas tarifas contra produtos brasileiros termina no próximo dia 15 de julho.

Enquanto o senador participou da audiência pública, o governo brasileiro optou por não se inscrever para discursar no evento. A estratégia do Palácio do Planalto tem sido manter as negociações por meio de canais diplomáticos e técnicos, com representantes da Embaixada do Brasil atuando apenas como observadores durante as discussões.

Na manifestação encaminhada ao USTR, Flávio Bolsonaro também defendeu um acordo de tarifa zero para etanol e açúcar entre Brasil e Estados Unidos. Já o governo federal rejeita incluir esse tema nas negociações, alegando que uma eventual redução das tarifas sobre o etanol norte-americano poderia prejudicar a indústria sucroalcooleira brasileira, especialmente na região Nordeste.

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