A repercussão envolvendo o cantor paraibano Flávio José ganhou um novo capítulo nesta semana. Após ser criticado pelo presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Wilson Cardoso, por não aceitar reduzir o valor de seus cachês para apresentações no São João baiano, o artista voltou a se pronunciar e defendeu que o valor solicitado para os shows era justo.
A polêmica teve início após a ausência de Flávio José na programação de diversas cidades da Bahia em 2026. Segundo Wilson Cardoso, o cantor teria aumentado o cachê de R$ 250 mil para R$ 350 mil, uma elevação de aproximadamente 40%, sem apresentar justificativas que respaldassem o reajuste. “Flávio se apresentou aqui no ano passado por R$ 250 mil. Neste ano, ele aumentou para R$ 350 mil. Não teve uma música nova, não teve nada que justificasse esse aumento de 40%”, afirmou o presidente da UPB em entrevista ao portal A TARDE.
O gestor também declarou que houve tentativas de negociação para viabilizar a contratação do artista, mas que a equipe de Flávio José não aceitou reduzir os valores pedidos.
Após as declarações, o cantor utilizou as redes sociais para responder às críticas e negar que tenha responsabilizado o Ministério Público da Bahia pela situação. “Misericórdia, meu Deus. Eu nunca levei à população nenhuma informação, quanto mais inverídica. Nunca citei o MP em nada. Eu apenas me reservei o direito de não concordar com o corte feito no valor que solicitei, pois tenho certeza de que o valor que solicitei foi um valor justo”, escreveu.
A manifestação ocorreu após uma declaração do procurador-geral de Justiça do Ministério Público da Bahia, Pedro Maia, que afirmou que o órgão não impediu a contratação do artista, mas apenas solicitou justificativas para o reajuste solicitado. “Como cidadão, eu não posso aceitar que um gestor público aumente mais de 40% o gasto na contratação de um artista sem nenhum fator que justifique essa mudança de um ano para o outro”, declarou o procurador.
De acordo com dados do Painel de Transparência dos Festejos Juninos do MP-BA, o cachê de Flávio José em apresentações realizadas na Bahia em 2025 foi de R$ 250 mil. Para 2026, o artista passou a solicitar R$ 350 mil por apresentação.
A divergência nas negociações teve impacto direto na agenda do cantor. Ao divulgar sua programação para o mês de junho, Flávio José confirmou apenas 17 apresentações, todas fora da Bahia. Com isso, mais de 15 shows que tradicionalmente fariam parte do circuito junino baiano deixaram de acontecer.
A ausência do paraibano abriu espaço para outras atrações. Em Vitória da Conquista, por exemplo, o cantor Mestrinho foi anunciado como substituto. Já em Feira de Santana, a vaga ficou com Santanna.
Reconhecido como um dos principais nomes do forró tradicional nordestino, Flávio José segue defendendo que o valor solicitado para suas apresentações corresponde à relevância de sua trajetória artística e ao padrão de seus shows, enquanto a discussão sobre cachês e gastos públicos continua repercutindo entre gestores, órgãos de controle e fãs do artista.



