O ex-deputado federal Major Fábio (Novo) reagiu às declarações do ex-ministro da Saúde e pré-candidato ao Senado Federal, Marcelo Queiroga (PL), que sinalizou o enfraquecimento da aliança entre o Partido Liberal (PL) e o Novo na Paraíba. Em entrevista ao portal Fonte83 nesta sexta-feira (12), Major Fábio contestou os argumentos apresentados por Queiroga e afirmou que ainda aguarda uma explicação clara sobre os motivos que estariam levando seu nome a ser descartado da chapa da direita para as eleições de outubro deste ano.
Ao rebater a justificativa de que haveria divergências ideológicas, Major Fábio destacou sua trajetória política ligada ao campo conservador e negou qualquer incompatibilidade com o projeto defendido pelo PL. “Mas, assim, eu não acredito que ele tenha falado isso. Mesmo você dizendo isso, eu preciso ouvir com muita clareza. Eu sou de direita. Efraim me conhece, Bolsonaro me conhece. Eu caminhei com Bolsonaro lá em Campina Grande, em 2008, 2009 e 2010, ao lado de Flávio Bolsonaro e do próprio Bolsonaro. Eu votei no que Bolsonaro votou. Fui contra o governo do PT. Se houver dois votos, são o dele e o meu. Eu sou de direita. Sou um homem que respeita a família e respeita a vida. Então, podem inventar outro motivo. Esse motivo, não”, afirmou.
O ex-deputado também rejeitou a tese de que declarações do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), poderiam justificar um afastamento entre os partidos. “Quanto ao Zema, ele já disse. Zema já afirmou que, no segundo turno, estará todo mundo junto. Então, precisamos de uma afirmação. Se o senhor disse isso aí, ele não precisa de nada. Está enganado. Ele precisa realmente dizer por que nós não estamos na chapa da direita, porque eu sou de direita e o Partido Novo é de direita. O Partido Novo não elegeu presidente do Senado, não elegeu Hugo Motta para presidente da Câmara. Não. O Partido Novo teve, inclusive, candidato próprio à Presidência da Câmara. Portanto, não existe isso. O Partido Novo é um partido de direita, que defende valores de direita, e eu sou de direita. Então, podem criar outro motivo, porque esse não serve”, argumentou.
Major Fábio afirmou ainda que tem cobrado explicações dos aliados sobre sua situação na composição majoritária. “Eu tenho dito, desde o início, que Efraim é meu pré-candidato a governador e Marcelo Queiroga é meu pré-candidato ao Senado. E tenho dito mais a eles: eu preciso de uma explicação caso fique fora da chapa, porque preciso falar para você, que está me perguntando agora, qual foi o verdadeiro motivo. Eu preciso desse motivo para não mentir. Não quero mentir. Não quero chegar para você e dizer que foi por isso ou por aquilo, inventando uma justificativa. Eu quero ouvir deles qual o motivo”, disse. Em outro momento, reforçou a cobrança: “Marcelo Queiroga tem criado muitas desculpas e não tem dito a verdade. Eu acredito que preciso saber a verdade. Tenho cobrado isso dele, que possa falar exatamente qual o motivo”, pontuou.
Durante a entrevista, o ex-deputado também voltou a defender a presença de dois nomes identificados com a direita na disputa pelas vagas ao Senado. Segundo ele, a estratégia de concentrar forças em apenas um candidato pode abrir espaço para adversários políticos. “Quando você deixa o segundo voto livre, então qualquer um pode ocupar. Se Marcelo está disputando com um desses candidatos da esquerda, o que pode acontecer é que esses candidatos vençam Marcelo numa segunda opção de voto.” Ele acrescentou: “Ele está tentando mostrar que só há espaço para ele na chapa. Mas a gente precisa fazer uma conta bem simples. Não vamos disputar apenas 3,5 milhões de votos. Vamos disputar o dobro disso, porque cada eleitor paraibano poderá votar em dois candidatos ao Senado. Portanto, a direita precisa disputar cerca de 7 milhões de votos. Se a gente deixar de disputar essa segunda parcela de votos, estaremos abrindo espaço para que um candidato da esquerda seja eleito”, ressaltou.
Ao defender a manutenção de uma segunda candidatura alinhada ao campo conservador, Major Fábio também saiu em defesa do pastor Sérgio Queiroz e afirmou que sua presença não representa obstáculo para o projeto político da direita paraibana. “Nesse ponto, acredito que Efraim esteja equivocado, porque, na verdade, Sérgio Queiroz não atrapalha em nada a Paraíba, nem está atrapalhando qualquer projeto político. Sérgio Queiroz está trazendo para a discussão temas como o combate ao crime e o combate à corrupção, bandeiras que são defendidas pelo PL, pelo Novo e pela direita de modo geral. Por isso, estamos muito tranquilos em relação a essa questão”, concluiu. Major Fábio ainda ressaltou que a união do grupo poderá ocorrer em um eventual segundo turno e observou que sua participação direta na disputa está concentrada na corrida pelo Senado. As declarações ocorrem em meio ao debate sobre a formação da chapa de oposição para 2026, em um cenário no qual o PL, aliado ao senador Efraim Filho, busca consolidar espaço na disputa pelo Governo da Paraíba, enquanto Major Fábio tenta viabilizar sua entrada na segunda vaga ao Senado dentro do campo da direita.




