Prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSB) - Foto: Reprodução.

A relação entre o prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSB), e setores da direção estadual do PSB ganhou novos capítulos nesta quarta-feira (3). Durante entrevista concedida após inspeção das obras do Ninho do Saber, em Gramame, o gestor admitiu publicamente o aumento do distanciamento político entre ele e a legenda, presidida na Paraíba pelo ex-governador João Azevêdo.

A declaração ocorre poucos dias após a formalização da bancada de oposição na Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP). O bloco foi oficializado por meio de ofício encaminhado à Mesa Diretora da Casa Napoleão Laureano e reúne sete vereadores para atuação conjunta no Legislativo da Capital.

Entre os parlamentares que passaram a integrar o grupo estão os vereadores Jailma Carvalho e Zezinho do Botafogo, ambos filiados ao PSB, fato que ampliou o desconforto dentro do partido e provocou reação do prefeito. A liderança da bancada ficou sob responsabilidade do vereador Milanez Neto (MDB), que atuará na coordenação das ações do bloco oposicionista.

Ao comentar o cenário, Leo Bezerra afirmou que os sinais de afastamento partiram do próprio partido e não de sua gestão. Segundo ele, os últimos movimentos políticos da legenda demonstram uma redução no diálogo e no prestígio junto ao Executivo municipal.

“Eu acho que o PSB está um pouco mais distante de Leo Bezerra. Quem acompanha os últimos gestos e posicionamentos do partido percebe isso. Não estou falando apenas em relação ao prefeito, os fatos e as reportagens mostram essa situação. O exemplo mais recente foi a decisão de vereadores do próprio PSB de integrarem a oposição a um prefeito que também é do PSB. É esse o caminho? É isso que o partido tem para oferecer a João Pessoa? É dessa forma que o PSB pretende tratar essa relação?”, questionou.

Na sequência, o prefeito direcionou o recado à direção estadual da legenda e afirmou que a responsabilidade por promover uma reaproximação cabe ao comando partidário. Leo também destacou que não se considera responsável pelo atual momento de desgaste político. “Não sou eu que vou responder, quem tem que responder isso é o presidente do partido, quem tem que nos chamar para conversar é o presidente do partido”, declarou.

A criação do bloco oposicionista fortalece a atuação conjunta dos parlamentares contrários à administração municipal e amplia a pressão política sobre o governo da Capital. Ao mesmo tempo, as declarações de Leo Bezerra evidenciam uma crise interna no PSB paraibano, em um momento em que o partido se movimenta para as articulações eleitorais de 4 de outubro e busca manter a unidade de sua principal base política no estado.

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