Uma declaração do secretário de Estado da Saúde da Paraíba, Ari Reis, durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, da Rádio Líder FM 100.5, nesta quarta-feira (3), provocou forte repercussão ao associar parte dos médicos recém-formados ao que classificou como um modelo de “fast-food de faculdades de medicina”.
Ao comentar o aumento da demanda por exames especializados e a formação dos novos profissionais, o secretário afirmou que existe uma postura de comodismo entre parte dos médicos que chegam ao mercado de trabalho.
“Há uma preguiça, principalmente nessa dos médicos recém-formados por conta desse fast-food de faculdade de medicina que a gente vive no país”, disparou.
A fala surgiu durante uma discussão sobre as filas para exames de ressonância magnética na Paraíba. Segundo Ari, atualmente existem cerca de 8 mil solicitações aguardando atendimento, mesmo com a realização de aproximadamente 3 mil exames por mês pela Secretaria de Estado da Saúde.
Na avaliação do gestor, muitos profissionais estariam substituindo a avaliação clínica por pedidos automáticos de exames.
“Você chega com uma idosa com dor no joelho. Tem que avaliar, fazer uma anamnese, um exame físico, acompanhar. Mas muitos chegam e fazem logo: ressonância”, criticou.
Ari afirmou ainda que alguns médicos sequer detalham adequadamente os pedidos, limitando-se a preencher abreviações e encaminhar a demanda para o sistema público.
“O paciente não tem culpa. Muitos colocam apenas ‘RM’ e mandam para a Secretaria fazer”, afirmou.
Durante a entrevista, o secretário também defendeu mecanismos mais rigorosos para avaliar a qualidade da formação médica no país. Segundo ele, o crescimento acelerado de cursos de medicina tem gerado preocupação sobre a qualificação dos profissionais que chegam à rede pública.
Ari citou experiências adotadas em hospitais estaduais, especialmente no interior da Paraíba, onde médicos recém-contratados passam por avaliações práticas antes de assumirem plantões.
“Não podemos colocar a população em risco. É preciso saber se aquele profissional está preparado para atender”, declarou.
O secretário ainda voltou a defender a criação de mecanismos nacionais de avaliação para médicos recém-formados, semelhantes ao exame exigido para ingresso na advocacia.
“Se existe uma prova para definir quem pode atuar como advogado, por que não avaliar também quem vai cuidar da vida das pessoas dentro de um PSF, de uma UPA ou de um hospital?”, questionou.
Em outro momento da entrevista, Ari criticou a visão de parte dos profissionais que enxergam as unidades básicas de saúde apenas como uma etapa temporária antes da residência médica.
“Muitos encaram a unidade básica de saúde e a UPA como uma passagem rápida para fazer renda e depois seguir para uma residência. Não deve ser assim. Unidade básica não é casa de passagem nem escola para aprender. É lugar de coisa séria”, afirmou.





