O deputado estadual Hervázio Bezerra (MDB) afirmou, nesta terça-feira (2), que a definição do prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSB), sobre os votos para o Senado nas eleições deste ano será tomada em conjunto com seu grupo político. A declaração foi dada durante entrevista à imprensa após sessão na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB).
Ao comentar a fala recente de Leo Bezerra, que declarou ter o primeiro voto para o Senado definido em favor de Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e que o segundo dependerá de uma conversa com o ex-governador João Azevêdo (PSB), Hervázio ressaltou que a decisão não será individual.
Segundo o parlamentar, o prefeito precisará ouvir aliados próximos, incluindo o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), deputados estaduais, vereadores e integrantes do grupo político que hoje acompanha sua gestão. “Ele não pode tomar uma decisão por si. Vai conversar com Cícero, ouvir os deputados que deixaram a base do governo para apoiar esse projeto, além da bancada de vereadores e de todo o agrupamento político. Não será uma decisão apenas dele”, afirmou.
Hervázio também destacou a evolução política do filho e disse que, atualmente, a liderança exercida por Léo dentro do grupo é uma realidade consolidada. “Antigamente era Leo filho de Hervázio. Hoje é Hervázio pai de Leo. Eu digo isso com alegria e orgulho pelo crescimento pessoal e político dele”, declarou.
Durante a entrevista, Hervázio voltou a demonstrar insatisfação com o ex-governador João Azevêdo e relembrou episódios que, segundo ele, desgastaram a relação política entre ambos.
O deputado afirmou que ainda mantém uma pequena possibilidade de reaproximação, mas destacou que se sentiu profundamente atingido por críticas direcionadas ao filho, especialmente durante o período em que Leo Bezerra foi alvo de declarações do então secretário estadual de Saúde, Tibério Limeira. “Eu deixei 2% de possibilidade. Mas as pancadas que, ao meu ver, foram desnecessárias e injustas com Léo me marcaram muito. Quando a crítica é contra um filho, quem é pai sabe o quanto dói”, disse.
Hervázio afirmou que acompanhou de perto o impacto das críticas sobre o prefeito da capital e responsabilizou João Azevêdo por não ter contido os ataques de integrantes de sua gestão. “O governador contemplou tudo isso. Foram críticas e pancadas totalmente injustas contra alguém que não briga com ninguém e não procura confusão”, acrescentou.
Críticas ao tratamento recebido no PSB
O parlamentar também questionou a postura do PSB em relação ao grupo político de João Pessoa. Para ele, o partido não demonstrou interesse em fortalecer a liderança de Léo Bezerra na capital paraibana. “João Pessoa talvez fosse a única capital onde não interessava ao partido ter o prefeito. Antes era uma expectativa, hoje é uma realidade”, afirmou.
Hervázio ainda relembrou sua trajetória como aliado dos governos socialistas e disse ter se sentido injustiçado após anos de fidelidade política. “Enquanto fui da base do governo, nunca votei contra uma matéria. Sempre fui fiel e firme. Quando sou governo, sou literalmente governo. Quando sou oposição, sou oposição. Mas jamais farei uma oposição irresponsável ou baseada em ataques pessoais”, destacou.
Ao final, o deputado reforçou que continuará fazendo o debate político, mas sem ultrapassar os limites do respeito pessoal.



